sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

 Há homens que passam pela estrada.
E há outros que deixam marcas nela.

Antes de ser presidente, antes de liderar um grupo, antes de vestir o colete, Jorge Lima é um homem feito de raízes, de viagens e de escolhas que moldaram o seu caminho.

Natural de Gouvães do Douro, no distrito de Vila Real, levou desde cedo no sangue o carácter firme das terras do Douro. Cresceu em Lisboa, onde começou a construir a sua identidade entre a vida urbana e os sonhos de liberdade.

Em 1990, com apenas 12 anos de idade, atravessou fronteiras e chegou à Suíça, trazendo consigo mais do que uma mala: trouxe a história, a saudade e a determinação de quem aprende cedo a recomeçar.

No mundo motard, o seu nome confunde-se com dedicação, persistência e sentido de pertença. Como presidente dos Motards Tartarugas, construiu mais do que um grupo: ajudou a criar uma família onde a amizade, o respeito e a lealdade são mais fortes do que o ruído dos motores.

A sua ligação ao movimento motard vai ainda mais longe. Jorge Lima fez parte da direção 


da LUSOMOTARDS e, segundo a memória de muitos, esteve também na origem de um projeto que viria a unir motards portugueses na Suíça.

Hoje, convidamos-vos a conhecer não apenas o líder ou o motard, mas o homem por trás do guiador.
As conquistas, as dúvidas, os silêncios e as batalhas invisíveis que moldaram a sua história.

Porque algumas histórias não se contam apenas com palavras.
Sentem-se.
Vivem-se.
E merecem ser ouvidas.

Homem antes do colete

Lusomotards (LM) - Antes de seres presidente, líder ou motard conhecido, quem é realmente o Jorge Lima?
Jorge Lima (JL)
- Sou uma pessoa como todas as outras, luto para alcançar os objetivos que desejo na vida. Acredito que todas as metas são possíveis de serem alcançadas. Sou uma pessoa que gosta e aceita brincadeiras, mas também sou séria. Considero-me uma pessoa correta.


LM
- Quando é que percebeste que a moto não era apenas um hobby, mas um estilo de vida?
JL
Bem, acho que percebi isso alguns anos atrás, quando comecei a frequentar algumas concentrações de motards. Notei que motos não são apenas um hobby, mas podem ser muito mais.

LM O que é que a estrada te deu… e o que é que te tirou?
JL - Andar na estrada de moto, acho que já me trouxe muitas coisas, pois não é a mesma coisa fazer uma estrada de moto ou de carro. De moto, vais livre, vês muitas mais coisas, pares onde pares és recebido de outra maneira. Parece que toda a gente te conhece há muito tempo, apesar de nunca te terem visto antes... Acho que, até ao dia de hoje, a única coisa que a estrada me tirou foi algumas horas de sono... 


Motards Tartarugas - identidade e verdade

LM - Os Motards Tartarugas não nasceram por acaso. Conta-nos a verdade: como começou tudo?
JL - Os Motards Tartarugas nasceram depois de um passeio de moto. Éramos cerca de 13 amigos que, no dia 9 de setembro de 2007, depois de um lindo passeio de moto e já a caminho de regresso a Frauenfeld, em tom de brincadeira, decidimos formar os Motards Tartarugas.

LM - O nome “Tartarugas” representa o quê: humildade, resistência ou provocação?
JL - Bem, o nome 'Tartarugas' surgiu por acaso, depois de termos votado em diversos nomes para o moto clube. Para mim, e pelo que somos, ele representa humildade.

LM - Hoje, olhando para o grupo, dirias que os Motards Tartarugas estão fortes, frágeis ou em transformação?
JL - Uiii, custa-me muito dizer isto, mas atualmente estamos muito frágeis e sem alguma transformação.

LM - Sem rodeios: como está realmente o grupo Motards Tartarugas neste momento?
JL - Infelizmente, está tudo parado. É algo que em breve vamos ter de resolver: o que faremos no futuro, pois cada vez há menos pessoas dispostas a assumir responsabilidades e que tenham tempo para estar à frente dos Motards Tartarugas.

LM - Qual foi o momento mais difícil que enfrentaste como presidente?
JL
Sinceramente, não te sei dizer. Já houve algumas tentativas, mas eu sou uma pessoa que gosta de enfrentar momentos difíceis, eles dão-me garra para continuar e fazer melhor... Mas acho que, mesmo assim, o mais difícil tem sido ver os Motards Tartarugas parados e sem o interesse dos sócios.

LM E o momento em que sentiste orgulho verdadeiro no grupo?
JL
- Sinto orgulho, apesar do atual mau momento, ainda hoje. Mas, quando os Tartarugas ainda eram Tartarugas, e principalmente nas nossas concentrações, saber que podia contar com os nossos sócios para tudo o que fosse preciso, isso sim, dava-me orgulho.


Liderar não é mandar

LM - Liderar motards é diferente de liderar pessoas comuns. Concordas?
JL - Sim, até certo ponto concordo. Acho que as pessoas comuns são mais difíceis de liderar...

LM - Já tiveste de tomar decisões que te custaram amizades?
JL - Sim, infelizmente, algumas. É triste, mas é a realidade. Por outro lado, talvez não fosse amizade de verdade.

LM - O que é mais difícil: manter um grupo unido ou mantê-lo fiel aos seus valores?
JL - Manter a união, acho, é mais difícil, pois, se houver união, acredito que os valores serão cumpridos

LM - Se tivesses de definir o teu estilo de liderança numa palavra, qual seria?
JL - Nunca liderei os Motards Tartarugas sozinho, tudo o que fiz foi decidido entre mim e os meus colegas de equipa. Mas, sim, sempre tentei motivá-los e ajudá-los para que me acompanhassem no percurso dos Tartarugas.

LUSOMOTARDS – história e legado 


LM - Fizeste parte da direção da LUSOMOTARDS. O que viste por dentro que poucos conhecem?
JL - Muita dedicação, muito tempo perdido pelas pessoas que passaram pela direção da Lusomotards, mas tudo isso não é relevante quando as coisas são levadas para frente.

LM - Se não estamos enganados, estiveste também na origem da LUSOMOTARDS. Como foi esse tempo de fundação?
JL - Sim e não... Quando entrei para a Lusomotards, ela já existia há 1 ou 2 anos. Não era a Lusomotards de hoje, mas o nome já estava lá. Apenas eu, juntamente com outros membros, fizemos com que existissem atas das reuniões, criamos certas regras, estatutos, etc. Acho que foi assim que demos mais vida à Lusomotards.

LM - Na tua opinião, a LUSOMOTARDS manteve o espírito original ou mudou com o tempo?
JL
Acho que o espírito melhorou, e espero que continue a mudar, logo que seja para melhor. Novas pessoas trazem novas ideias, mais energia, etc. Não podem ser sempre as mesmas, porque, a certa altura, ficamos cansados e, mesmo sem querer, não conseguimos dar nova vida...

LM - O que a LUSOMOTARDS representa hoje para ti: orgulho, responsabilidade ou nostalgia?JL - A Lusomotards, para mim, é um orgulho. Sinto-me até certo ponto orgulhoso por ter sido um dos responsáveis por transformar a Lusomotards no que é hoje. E sinto, atualmente, saudades de não ter tempo para conviver mais com o pessoal. Infelizmente, atualmente, não me é possível.

LM - Se tivesses de deixar uma mensagem à atual direção da LUSOMOTARDS, qual seria?
JL - Acreditem, levem as vossas ideias para a frente, sejam leais e responsáveis pelos cargos que têm...

Movimento motard - sem filtros

LM - Vamos ser diretos: o movimento motard português na Suíça está unido ou dividido?
JL - Eu penso que todos os motards, todos os clubes e até mesmo os simpatizantes da Lusomotards estão unidos, mas também sei que há motards e clubes que não fazem parte da Lusomotards, e esses, talvez, estejam mais divididos.

LM - O que é que mais te incomoda no mundo motard atual?
JL 
- Haver certas regras que impedem outros clubes de fazer ou até mesmo de vestir certas coisas.

LM - E o que ainda te faz acreditar neste movimento?
JL
É uma grande família, por isso temos sempre de acreditar...

LM - Achas que hoje há mais aparência do que essência no mundo motard?
JL
As duas coisas, e, por um lado, está bem assim. Pelo menos, não se torna chato ver sempre a mesma coisa...


LM
- Se pudesses mudar uma coisa no movimento motard, qual seria?
JL
Bem, acho que, se eu tivesse esse poder, mudaria o tempo, pelo menos aqui na Suíça, trazendo mais sol do que chuva e neve.

Estrada, vida e verdade

LM - Há uma viagem, uma queda ou um momento na estrada que te tenha mudado como homem?JL Acho que qualquer viagem, qualquer susto e qualquer momento nos mudam de alguma forma. Com todos os quilómetros que fazemos, com alguns sustos que apanhamos e com todos os momentos que passamos juntos, acho que nos mudam, mesmo às vezes sem nos darmos conta.

LM - A estrada ensinou-te mais sobre lealdade ou sobre solidão?
JL
Um pouco das duas coisas.

LM - Quando desligas a moto, o Jorge Lima continua a ser o mesmo?
JL
Na moto, desligo de quase tudo e concentro-me apenas na estrada, na moto, etc. Quando desligo a moto, as coisas do dia a dia voltam à cabeça... Mas acho que isso faz parte, e acredito também que não sou o único a sentir assim.

Mensagem final 


LM - Que mensagem deixas aos Motards Tartarugas?
JL
Gostava que não deixassem morrer o que foi construído, gostava que os sócios se chegassem mais à frente...

LM - E aos motards portugueses na Suíça?
JL
Não apenas aos motards na Suíça, mas sim a todos os motards. Desejo muitos quilómetros cheios de saúde e muitos momentos de alegria.

LM - Completa a frase: “Ser motard não é…”
JL
Não é saber andar de moto ou se armar em piloto de MotoGP, mas sim saber respeitar a estrada e quem nela vai, é saber aproveitar o momento, saber conviver e respeitar os outros.

Ao longo desta conversa, percebemos que a história de Jorge Lima não se resume a cargos, títulos ou funções. É, acima de tudo, a história de um homem que cresceu entre raízes durienses, viveu a mudança ainda jovem e encontrou na estrada uma forma de pertença.

Da infância em Gouvães do Douro, passando por Lisboa, até à chegada à Suíça com apenas 12 anos, o seu percurso é feito de adaptação, coragem e construção silenciosa. Como tantos emigrantes portugueses, aprendeu cedo a recomeçar sem perder a identidade.

Enquanto presidente dos Motards Tartarugas e antigo membro da direção da LUSOMOTARDS, Jorge Lima demonstrou que liderar não é estar à frente, mas estar presente. Presente nos momentos difíceis, nas decisões exigentes, nas conquistas partilhadas e nos quilómetros percorridos lado a lado.

Nesta entrevista, não ouvimos apenas um dirigente associativo. Ouvimos um homem que valoriza a amizade, a lealdade e o respeito, princípios que dão verdadeiro significado ao mundo motard.

Porque no fim, o que fica não são apenas as motos, os encontros ou as fotografias.
Ficam as pessoas.
Ficam os gestos.
Fica a memória.

A LUSOMOTARDS agradece a Jorge Lima por ter partilhado o seu percurso e por continuar a contribuir para a força e identidade da comunidade motard portuguesa na Suíça.

A estrada continua. E cada história contada reforça o caminho que fazemos juntos.

Entrevistador:
JM
Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS


domingo, 8 de fevereiro de 2026

LUSOMOTARDS – UMA HISTÓRIA QUE CONTINUA

 Um Motard, Uma História

A rubrica “Um Motard, Uma História” tornou-se muito mais do que uma série de entrevistas.
Tornou-se memória, identidade e voz da comunidade motard.
Edição após edição, histórias reais têm unido estradas, gerações e sentimentos.

Agora, preparamo-nos para revelar uma entrevista especial.
Um motard que, apesar de afastado fisicamente, nunca esteve ausente do espírito da estrada.
Alguém que a vida obrigou a recuar, mas que nunca deixou de estar presente na memória, no respeito e no coração de quem partilha o mesmo caminho.

Não é apenas uma entrevista.
É um reencontro com a história, com a lealdade e com o significado de pertencer.

Em breve, na Lusomotards, mais uma história memorável está prestes a ser contada.
A estrada nunca esquece quem é verdadeiramente seu.

Fica atento. A próxima história da vida real pode ser a tua.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

LUSOMOTARDS PROCURA COLABORADORES PARA O BLOG

 A LUSOMOTARDS está a reforçar a sua equipa de conteúdos e abre as portas a novos colaboradores para o blog oficial do grupo.

Procuramos pessoas com paixão pelo universo motard, gosto pela escrita e vontade de partilhar histórias, experiências e informação relevante.
Se gostas de escrever, contar histórias, fazer entrevistas, reportagens ou criar rubricas originais, esta é a tua oportunidade de fazer parte do projeto.

Os colaboradores poderão participar com:

  • Histórias e relatos de estrada

  • Reportagens e crónicas motard

  • Entrevistas e testemunhos

  • Ideias para novas rubricas e formatos

  • Conteúdos sobre cultura, eventos e vida motard

Não é necessário ser profissional da escrita — apenas autenticidade, compromisso e espírito motard.

Interessados devem enviar a sua proposta, ideia ou texto para:
lusomotards@hotmail.com

Junta-te ao blog da LUSOMOTARDS e ajuda-nos a construir um espaço onde as histórias da estrada ganham voz.

LUSOMOTARDS – A estrada também se escreve.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

Bem-vindos a mais uma edição da rubrica “Um Motard, Uma História”, da LUSOMOTARDS.

Hoje damos voz a alguém que dispensa apresentações no meio motard, não apenas pelo cargo que ocupa, mas pelo percurso que construiu ao longo dos anos.

Atual presidente de um motoclube que carrega no nome uma ideia simples e poderosa — “Motard somos nós” — o nosso entrevistado acredita que ser motard vai muito além da moto ou do colete: é uma forma de estar, de respeitar e de viver a estrada.

Alguém que já fez parte da direção da LUSOMOTARDS, conhecedor do nosso caminho, dos desafios e da importância da união entre motards portugueses na Suíça.

Hoje não falamos apenas de cargos ou funções. Falamos de vivências, valores e estrada.

Vamos ouvir a sua história.


Corria o ano de 1969, numa época em que a vida se construía com trabalho duro, família unida e poucas distrações. Foi nesse Portugal de raízes fortes que, a 17 de novembro, pelas 7h30, na Freguesia de Sampaio de Favões, concelho de Marco de Canaveses, distrito do Porto, nasceu Manuel Sobral.

Primogénito de uma família de quatro irmãos, cresceu entre os exemplos simples, mas marcantes, de um pai taxista e de uma mãe costureira, António Sobral e Gracinda Sobral, que lhe transmitiram desde cedo valores como o esforço, a responsabilidade e o respeito.

Anos mais tarde, esses mesmos valores acompanham-no na vida adulta. Hoje é pai de quatro filhos e avô orgulhoso, mantendo laços fortes com a família, mesmo à distância. Desde abril de 2013, vive na Suíça, país que escolheu para emigrar, levando consigo as raízes, a história e o sentido de pertença que continuam a definir o homem que é hoje.

Lusomotards (LM) - Lembras-te da tua primeira moto e do que sentiste na primeira vez que pegaste no guiador? 
Manuel Sobral (MS) -A primeira vez que peguei no guiador de uma mota e a pilotei foi como ter um


orgasmo cerebral, a cabeça ficou vazia o corpo tenso e no final uma tremedeira geral que quase não dava para ficar de pé. Depois de várias escapadas com 12 Anos de idade na lambreta (Casal Carina250) do meu Pai, aos 14 tirei a licença de motorizada e o meu Pai trocou a lambreta por uma Famel Caçador Zundapp de quatro Turbina (grande máquina) depois de alugar várias motos, pois andava sempre em viagem, a minha primeira mota de verdade comprei já com 28 anos de idade na Ilha da Madeira e foi uma Yamaha Super Ténéré 750.
 

LM - O que significa para ti, hoje, ser motard?
MS - Hoje para mim ser Motard é uma forma ser e ver a vida com muito mais valor humano e muito menos material é ver o outro como a ti mesmo, ser Motard para mim hoje é quase uma religião sendo que o meu Deus é acreditar no ser humano. 

 Motards Somos Nós 


LM
- O nome do teu moto clube é “Motards Somos Nós”. Como nasceu essa ideia?
MS - Este clube nasceu em Payerne (VD) por volta de 2011 com um grupo de amigos que se juntavam no Bar Copa Cabana para dar umas voltas de mota, por volta do Ano de 2013 decidiram dar um nome ao grupo, e nasceram assim os “Motards Demónios Payerne” , em 2019 e devido a existencia dos “Demons” que e quer dizer Demonis mas em Frances, a criação da associação 19.13.3 tivemomos que mudar o nome, as cores brancas para verde e retirar Payerne, então como mantivemos o demónio, que continua a ser a nossa mascote, o foi lido de cima para baixo: Motards o boneco lê-se DEMONIOS Somos Nós, mesmo que pareça que não faz sentido. Assim Mantivemos a nossa identidade 

LM - Para ti, o que define verdadeiramente um motard: a moto, o colete ou a atitude?
MS - Acima de tudo a atitude, uma mota e um colete qualquer um pode comprar, ser Motard não se compra, ser Motard é ser diferente, por vezes mesmo incompreendido, mas sempre integro e fiel aos seus Valores. 

LM - Achas que, ao longo dos anos, o conceito de ser motard mudou? Em quê? 
MS - O conceito não mudou o que mudou foi a facilidade como hoje se criam grupos á esquerda e á direita não pelo conceito e valores Motards, mas pela moda e pior alguns por dinheiro. 

Liderança e Moto clube

LM - O que te levou a assumir a presidência do moto clube? 
MS - Inicialmente em 2017 para cumprir a palavra dada ao antigo Presidente (Bruno Martins) que nunca deixaria acabar este clube, nessa data o clube estava a deriva sem direção, eu mais os restantes membros (3 ou 4) metemos mãos a obra e fiquei como presidente interino até às eleições de 2019 em que fui eleito para um mandato de dois anos, até à data de hoje tenho sido reeleito. 

LM - Qual é o maior desafio de liderar um grupo motard nos dias de hoje? 
MS - Nos dias de hoje o maior desafio para a liderança de um grupo motard é sem margem de dúvida incutir nos seus membros o espírito motard, fazendo-lhes ver que ser motard não é moda, ser motard é ser diferente. 

LM - Que valores procuras transmitir aos membros do clube? 



MS - Os valores da Fraternidade, da Irmandade, da Lealdade com eles próprios para que o possam ser com os outros, de reconhecerem os seus defeitos e aceitarem os dos outros, da entreajuda entender que nem todos vemos o copo meio cheio e sobre tudo de que ser Motard é antes de tudo ser humano com defeitos e virtudes

LM - Há algum momento marcante vivido enquanto presidente que guardes com especial orgulho? 
MS - Felizmente tenho muitos momentos em que me orgulho deste clube e claro dos seus membros, só para citar alguns, fiquei muito orgulhoso nos momentos em que entregamos pequenas ofertas a crianças especiais ou pessoas idosas e vejo um sorriso, fiquei muito orgulhoso quando conseguimos abrir a nossa sede, mais recentemente fiquei muito orgulhoso quando a nossa banda deu o seu primeiro concerto e o público estava a delirar, muitos outros momentos existiram que não tenho espaço na página.

LUSOMOTARDS 

LM - Fizeste parte da direção da LUSOMOTARDS. O que representou para ti esse convite? 
MS - Um grande orgulho por fazer parte de uma forma mais ativa de algo que vejo como importante para manter e cultivar o espírito Motard entre a comunidade portuguesa na Suíça. 

LM - Que memórias ou aprendizagens levas desse período? 
MS - Como memórias apenas e infelizmente de que o espírito Motard em todos os seus valores está em decadência, como aprendizagem guardei que é sempre mais fácil quando estás de fora. 

LM - Na tua opinião, qual é o papel da LUSOMOTARDS na comunidade motard portuguesa na Suíça? 
MS - Muito sinceramente neste momento acho que não é nenhum, tudo aquilo que foi o propósito da sua criação tem vindo a ser perdido, muito pela mesma razão que no conjunto dos grupos Motards o verdadeiro espírito Motard se vem a perder. 

LM - O que gostarias de ver reforçado ou preservado no futuro da LUSOMOTARDS? 
MS - Eu gostaria que a Lusomotards fosse a Associação de Motards Portugueses na Suíça, que verdadeiramente representa-se os clubes, que fosse mais ativa para resumir, claro que para isso era preciso muito mais trabalho e talvez um outro formato em termos de organização. Claro já lá estive embora como simples secretario, mas também não contribui em nada para que as coisas mudassem, mas tenho esperança que um dia tudo vai mudar. 


Comunidade e União
 

LM - A união entre moto clubes é um tema recorrente. Estamos no bom caminho?
MS - Penso que no passado já estivemos melhor, se a decadência do espírito motard continuar a este ritmo penso que vai piorar. 

LM - O que falta, ainda, para que o movimento motard seja mais unido? 
MS - Falta que as pessoas entendam que espirito Motard não é só andar de mota, espírito Motard é antes de tudo respeito uns pelos outros e que todos percebam que isto não é uma competição, mas que deve ser uma entreajuda entre famílias do mesmo mundo. 

LM - Que conselho deixarias aos mais novos que agora começam neste mundo? 
MS - Pensem bem antes de entrar neste mundo, ser motard não é moda, ser motard não é comprar uns ténis novos. Pensem bem se realmente querem entrar no mundo dos diferentes, pensem bem se realmente são diferentes e escolham bem o vosso moto clube. 

A Estrada e a vida 

LM - Há uma estrada, viagem ou encontro motard que tenha marcado a tua vida? 
MS - A viagem a Portugal com a minha mulher o meu irmão e amigo Jorge Guerreiro. 

LM - O que a vida motard te ensinou fora da estrada? 
MS - A ser mais compreensivo com as diferenças entre pessoas. 

LM - Se tivesses de definir a tua história motard numa frase, qual seria? 



MS - Começou tarde, mas muito intensa. 

Mensagem Final 

LM - Que mensagem gostarias de deixar à comunidade motard portuguesa na Suíça? 
MS - Sejam mais unidos deixem-se de tretas, todos juntos somos mais fortes. 

LM - Completa a frase: “Ser motard é…”
MS - Ser Motard é ser diferente. 

Chegamos ao fim de mais uma entrevista da rubrica “Um Motard, Uma História”.

Uma conversa que nos lembra que o verdadeiro espírito motard vive nas pessoas, nas escolhas feitas ao longo do caminho e na forma como cada um contribui para a comunidade.

Agradecemos ao nosso entrevistado pela disponibilidade, pela franqueza e pelo testemunho deixado, que certamente se revê em muitos de nós.

A LUSOMOTARDS continuará a dar voz a quem constrói o movimento motard todos os dias, dentro e fora da estrada.

Porque no fim de contas, motard somos nós.
A estrada continua.

Entrevistador:
JM

Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS

domingo, 11 de janeiro de 2026

2026 começa com o motor a trabalhar

 Já temos o próximo protagonista… ou ainda estamos à procura?

A rubrica “Um Motard, Uma História” está prestes a regressar à LUSOMOTARDS, continuando a dar voz a percursos, experiências e testemunhos que representam a nossa comunidade.

Neste momento, a estrada está aberta:
Será que o próximo narrador já está connosco… ou ainda o estamos à procura?

Se conheces uma história que merece ser contada — ou se a tua própria vivência pode inspirar outros — este pode ser o momento certo.

O início de um novo ano é sempre um momento de reflexão, continuidade e renovação de propósitos. Na LUSOMOTARDS, seguimos firmes na valorização do motociclismo, das pessoas e das histórias que unem a comunidade motard lusófona.

Ao longo do ano, continuaremos a promover conteúdos que dão voz aos motards, às suas vivências e aos seus percursos, reforçando os laços que nos unem enquanto associação e comunidade.

Em breve regressa a rubrica “Um Motard, Uma História”, um espaço dedicado à partilha de experiências reais, testemunhos autênticos e percursos que merecem ser reconhecidos.

Agradecemos a todos os que caminham connosco.
Desejamos um excelente ano, repleto de união, segurança e boas estradas.