sábado, 7 de março de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

 Das montanhas de Manteigas às estradas da Suíça, a história de um motard que viveu a irmandade desde o início.

Há histórias que começam com o som de um motor.

Mas há outras que começam muito antes disso…
Começam na vida.

Esta é a história de Rui Serra.

Um homem nascido no coração da Serra da Estrela, na vila de Manteigas, onde o silêncio das montanhas e a força da natureza moldam o carácter de quem ali cresce. Foi ali que começou o seu caminho, muito antes de existir qualquer mota, qualquer grupo ou qualquer estrada percorrida a milhares de quilómetros da sua terra.

A vida levou-o mais longe.

Da infância nas montanhas de Portugal às estradas da Suíça, Rui Serra acabaria por encontrar no mundo motard algo que muitos procuram durante uma vida inteira: irmandade, liberdade e identidade.

Foi entre motores ligados, encontros improvisados e noites à volta de fogueiras que nasceram amizades, grupos e ideias que marcariam uma geração de motards portugueses emigrados.

Entre essas histórias está também o Red Line, um grupo que ajudou a construir com dedicação e paixão.
E está igualmente o nascimento de algo maior os LUSOMOTARDS, uma união que surgiu da vontade de juntar motards portugueses espalhados pela Suíça.

Mas esta não é apenas uma história de motas.

É uma história de amizade, lealdade, escolhas de vida e respeito pela estrada.

Hoje, com a serenidade de quem já percorreu muitos quilómetros, Rui Serra olha para trás com orgulho, saudade e a certeza de que aquilo que se viveu no verdadeiro espírito motard fica para sempre marcado no coração e na memória da estrada.

Porque no final de tudo, como ele próprio diz:

“Ser motard é respeito… e saber respeitar.”

Lusomotards (LM) - Rui começa por nos falar um pouco de ti. Quem é o homem antes da estrada?

Rui Serra (RS) - Sou Rui Serra, nasci a 26 de junho de 1971 na linda vila de Manteigas, situada no coração da Serra da Estrela. Nasci dentro de uma família muito feliz. Aos 6 anos entrei para a escola da Senhora dos Verdes, onde fiz a 4ª classe. Depois segui para o ciclo e mais tarde para o Colégio Nossa Senhora de Fátima, onde completei os estudos até ao secundário. Aos 20 anos fiz a tropa em Évora durante dois anos. Mais tarde regressei à minha terra e concorri para a GNR. Cheguei a passar nas provas, mas acabei por não seguir esse caminho porque teria de me deslocar para longe e estava prestes a nascer o meu primeiro filho. Foi uma decisão de vida.

LS - Como nasceu a tua ligação às motas?
RS - Um dia, quase por acaso, fui com um amigo até ao Fundão. Visitámos uma garagem da Honda que vendia motas. Eu praticamente não tinha noção nenhuma do mundo das motas… mas quando vi uma CB500 verde militar, foi amor à primeira vista. Comprei-a na hora. Mais tarde tive uma Transalp 600, e aí comecei a perceber que a mota não era apenas um hobby começava a fazer parte de mim.

LM - Quando chegaste à Suíça e como entraste no mundo dos grupos motards?
RS - Foi já na Suíça que tudo ganhou outra dimensão. Comprei uma R1 e comecei a conhecer vários grupos motards. Passei a participar nos eventos e encontros que organizavam. No início éramos poucos, mas já estávamos espalhados pela Suíça em zonas como Zug, Romanshorn e SchaffhausenAos poucos o movimento foi crescendo… até que em 2003 acabámos por formar os LUSOMOTARDS na SuíçaNessa altura eu já tinha o meu pequeno grupo: o Red Line.

LM - Como nasceu a ideia dos LUSOMOTARDS?
RS
A ideia nasceu da forma mais pura que existe no mundo motard: à volta de uma fogueiraEstávamos ali reunidos, a conversar, a trocar ideias… e começámos a falar sobre a necessidade de união entre motards portugueses. Assim nasceu a ideia dos LUSOMOTARDSA motivação cresceu muito em mim, principalmente pela vontade de conhecer mais irmãos motards e fortalecer a união entre todos. No início não foi fácil. Havia muitas ideias diferentes e não era possível concretizar todas. Mas conseguimos algo muito importante: organizar datas de eventos e criar estrutura. E isso já era uma grande vitória.


LM
- O Red Line também fez parte importante da tua história. Como nasceu esse grupo?
RS - O Red Line nasceu em 2003, em Bad Ragaz, através de alguns motards com quem já rodávamos aqui na zona. Para mim, o Red Line era muito mais do que um grupo. Era uma verdadeira aventura que eu estava a criar com alguns amigos. Eu vivia o grupo. Os fins de semana eram praticamente todos dedicados ao Red Line. Fui fundador e ocupei sempre o lugar de presidente, embora tivesse sempre deixado a porta aberta para que outro motard do grupo pudesse assumir o lugar se assim desejasse. Mas acabou por nunca acontecer.

LM - Como foram os primeiros eventos e concentrações organizados pelo Red Line?
RS - No início, fazer uma concentração motard ainda era novidade para muitos portugueses. Havia sempre aquele receio… Mas eu tinha uma certeza dentro de mim: os nossos irmãos motards iam aparecerE assim aconteceu. Sempre que organizávamos algo, os motards apareciam e apoiavam. A todos eles deixo aqui o meu agradecimento. O Red Line chegou a ter cerca de 50 sócios, mas com o passar do tempo muitos motards seguiram outros caminhos: juntaram-se a outros grupos ou criaram novos. E assim o Red Line acabou por se ir perdendo. Para
mim isso foi natural. 
Somos todos livres.


LM
- O teu afastamento do meio motard teve alguma razão especial?
RS - Não houve qualquer problema. Foi apenas um afastamento natural devido à vida privadaMas dentro de mim continuo a sentir-me parte disto tudo. Mesmo sem o Red Line ativo, continuo ligado ao espírito motard.

LM - Quando olhas para trás, o que sentes ao recordar esse percurso?
RS - Sinto saudades… mas acima de tudo muito orgulhoOrgulho de todos os motards com quem convivi e também daqueles que, mesmo sem conhecer muito bem, fizeram parte deste caminho. Para mim, a amizade no mundo motard não se compra nem se vende vive-seAprendi muito com todos. Aprendi sobretudo o respeito e a lealdade.

LM - O que é que a estrada te ensinou?
RS - A estrada ensinou-me muito. Ensinou-me a respeitá-la, porque é ela que leva as nossas alegrias a todo o lado. Aprendi que a estrada também merece respeito. Para mim, a estrada significa liberdadeLive to Ride, Ride to Live.

LM - Existe vontade de regressar mais ativamente ao mundo motard?
RS - Voltar como antes… provavelmente não. Mas participarei com todo o gosto em alguns eventos que venham a organizar. Porque isto nunca desaparece completamente de dentro de nós.

LM  - Que mensagem deixas aos jovens motards?
RSNós vivíamos tudo isto com uma enorme satisfação. Era algo muito puro. Aos jovens motards deixo um conselho simples: tenham o máximo cuidado ao andar de mota. E deixo também um pensamento para aqueles nossos amigos motards que infelizmente já partiram.

LM - Para terminar, o que significa para ti ser motard?
RS - Ser motard é algo simples, mas profundo: 
Ser motard é respeito… e saber respeitar.


Há homens que passam pelo mundo motard. E há homens que ajudam a construir esse mundo.

Rui Serra pertence a essa geração que viveu o motociclismo não como moda, nem como estatuto, mas como forma de vida. Uma geração que se encontrou nas estradas da Suíça, longe da terra natal, mas unida pelo mesmo som de motores, pelo mesmo espírito de irmandade e pela mesma paixão pela liberdade.

Entre fogueiras acesas nas noites frias, quilómetros partilhados e sonhos discutidos entre amigos, nasceram ideias que acabariam por marcar uma comunidade inteira.

Uma dessas ideias foi a criação dos LUSOMOTARDS.

Outra foi o espírito que deu vida ao Red Line, um grupo criado com amizade, dedicação e a vontade de juntar motards em torno de algo maior do que apenas andar de mota.

O tempo passa.
Os caminhos mudam.
Alguns grupos desaparecem.
Outros transformam-se.

Mas aquilo que realmente importa fica para sempre gravado na estrada e na memória de quem viveu esses momentos.

Rui Serra pode hoje estar mais afastado da estrada como antes a vivia, mas a sua história continua a fazer parte das raízes desta irmandade.

Porque no mundo motard há algo que o tempo nunca apaga:

o respeito por quem ajudou a abrir caminho.

E como ele próprio nos recorda, com a simplicidade de quem viveu tudo isto de forma verdadeira:

Ser motard não é uma aparência.

É uma forma de estar.

É uma forma de viver.

E acima de tudo…
é uma forma de respeitar.

Entrevistador:
JM
Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS


sexta-feira, 6 de março de 2026

Piratas da Engadina realizam a 10° Assembleia Geral Ordinária com espírito de união e compromisso

 Decorreu ontem, em ambiente de forte camaradagem e sentido de responsabilidade, a Assembleia Geral Ordinária dos Piratas da Engadina, reunindo os seus associados para analisar o percurso do último ano e definir os rumos futuros do motoclube.

A sessão ficou marcada pela participação ativa de alguns membros, que demonstraram, mais uma vez, que ser Pirata vai muito além de ostentar o dorsal é assumir compromisso, presença e responsabilidade para com o grupo.

Durante a reunião foram apresentados e discutidos os relatórios de atividades e de gestão referentes ao ano transato, com balanço positivo das iniciativas realizadas, dos eventos organizados e da representação do clube em encontros motards dentro e fora da região da Engadina. A transparência na gestão e o espírito democrático estiveram em destaque ao longo de toda a sessão.

Foram ainda debatidos os objetivos para o novo ano motard, reforçando-se a aposta na coesão interna, na participação ativa dos sócios e na afirmação do clube no panorama motard suíço e lusófono.

A Assembleia Geral Ordinária confirmou que os Piratas da Engadina continuam firmes nos seus valores: lealdade, irmandade e estrada. O futuro constrói-se com trabalho, dedicação e presença e isso ficou claro na noite de ontem.

A LUSOMOTARDS saúda o espírito demonstrado por este motoclube irmão, exemplo de organização e união dentro da comunidade motard portuguesa na Suíça.

Seguimos juntos. Sempre em frente.

domingo, 1 de março de 2026

Março ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História” BREVEMENTE

 UMA HISTÓRIA QUE RESISTIU AO TEMPO.

Há homens que não aparecem todos os dias nas estradas…
mas cuja presença nunca desaparece da memória.

Ele esteve lá desde o início da LUSOMOTARDS.
Na fundação.
Na liderança.
Naqueles momentos em que respeito e lealdade eram conquistados, não pedidos.

O grupo que liderou acabou.
Mas ele… não.
Retirou-se do mundo motard pelas circunstâncias da vida…
mas nunca foi esquecido.

Porque no meio da irmandade mais antiga,
há pessoas que podem desaparecer…
mas nunca deixam de existir.

Em março
Uma entrevista.
Um homem. Um legado. Uma história que poucos conhecem…

Preparem-se para descobrir segredos, decisões e momentos que marcaram o mundo motard e que continuam a ecoar, mesmo na ausência.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

 Há homens que passam pela estrada.
E há outros que deixam marcas nela.

Antes de ser presidente, antes de liderar um grupo, antes de vestir o colete, Jorge Lima é um homem feito de raízes, de viagens e de escolhas que moldaram o seu caminho.

Natural de Gouvães do Douro, no distrito de Vila Real, levou desde cedo no sangue o carácter firme das terras do Douro. Cresceu em Lisboa, onde começou a construir a sua identidade entre a vida urbana e os sonhos de liberdade.

Em 1990, com apenas 12 anos de idade, atravessou fronteiras e chegou à Suíça, trazendo consigo mais do que uma mala: trouxe a história, a saudade e a determinação de quem aprende cedo a recomeçar.

No mundo motard, o seu nome confunde-se com dedicação, persistência e sentido de pertença. Como presidente dos Motards Tartarugas, construiu mais do que um grupo: ajudou a criar uma família onde a amizade, o respeito e a lealdade são mais fortes do que o ruído dos motores.

A sua ligação ao movimento motard vai ainda mais longe. Jorge Lima fez parte da direção 


da LUSOMOTARDS e, segundo a memória de muitos, esteve também na origem de um projeto que viria a unir motards portugueses na Suíça.

Hoje, convidamos-vos a conhecer não apenas o líder ou o motard, mas o homem por trás do guiador.
As conquistas, as dúvidas, os silêncios e as batalhas invisíveis que moldaram a sua história.

Porque algumas histórias não se contam apenas com palavras.
Sentem-se.
Vivem-se.
E merecem ser ouvidas.

Homem antes do colete

Lusomotards (LM) - Antes de seres presidente, líder ou motard conhecido, quem é realmente o Jorge Lima?
Jorge Lima (JL)
- Sou uma pessoa como todas as outras, luto para alcançar os objetivos que desejo na vida. Acredito que todas as metas são possíveis de serem alcançadas. Sou uma pessoa que gosta e aceita brincadeiras, mas também sou séria. Considero-me uma pessoa correta.


LM
- Quando é que percebeste que a moto não era apenas um hobby, mas um estilo de vida?
JL
Bem, acho que percebi isso alguns anos atrás, quando comecei a frequentar algumas concentrações de motards. Notei que motos não são apenas um hobby, mas podem ser muito mais.

LM O que é que a estrada te deu… e o que é que te tirou?
JL - Andar na estrada de moto, acho que já me trouxe muitas coisas, pois não é a mesma coisa fazer uma estrada de moto ou de carro. De moto, vais livre, vês muitas mais coisas, pares onde pares és recebido de outra maneira. Parece que toda a gente te conhece há muito tempo, apesar de nunca te terem visto antes... Acho que, até ao dia de hoje, a única coisa que a estrada me tirou foi algumas horas de sono... 


Motards Tartarugas - identidade e verdade

LM - Os Motards Tartarugas não nasceram por acaso. Conta-nos a verdade: como começou tudo?
JL - Os Motards Tartarugas nasceram depois de um passeio de moto. Éramos cerca de 13 amigos que, no dia 9 de setembro de 2007, depois de um lindo passeio de moto e já a caminho de regresso a Frauenfeld, em tom de brincadeira, decidimos formar os Motards Tartarugas.

LM - O nome “Tartarugas” representa o quê: humildade, resistência ou provocação?
JL - Bem, o nome 'Tartarugas' surgiu por acaso, depois de termos votado em diversos nomes para o moto clube. Para mim, e pelo que somos, ele representa humildade.

LM - Hoje, olhando para o grupo, dirias que os Motards Tartarugas estão fortes, frágeis ou em transformação?
JL - Uiii, custa-me muito dizer isto, mas atualmente estamos muito frágeis e sem alguma transformação.

LM - Sem rodeios: como está realmente o grupo Motards Tartarugas neste momento?
JL - Infelizmente, está tudo parado. É algo que em breve vamos ter de resolver: o que faremos no futuro, pois cada vez há menos pessoas dispostas a assumir responsabilidades e que tenham tempo para estar à frente dos Motards Tartarugas.

LM - Qual foi o momento mais difícil que enfrentaste como presidente?
JL
Sinceramente, não te sei dizer. Já houve algumas tentativas, mas eu sou uma pessoa que gosta de enfrentar momentos difíceis, eles dão-me garra para continuar e fazer melhor... Mas acho que, mesmo assim, o mais difícil tem sido ver os Motards Tartarugas parados e sem o interesse dos sócios.

LM E o momento em que sentiste orgulho verdadeiro no grupo?
JL
- Sinto orgulho, apesar do atual mau momento, ainda hoje. Mas, quando os Tartarugas ainda eram Tartarugas, e principalmente nas nossas concentrações, saber que podia contar com os nossos sócios para tudo o que fosse preciso, isso sim, dava-me orgulho.


Liderar não é mandar

LM - Liderar motards é diferente de liderar pessoas comuns. Concordas?
JL - Sim, até certo ponto concordo. Acho que as pessoas comuns são mais difíceis de liderar...

LM - Já tiveste de tomar decisões que te custaram amizades?
JL - Sim, infelizmente, algumas. É triste, mas é a realidade. Por outro lado, talvez não fosse amizade de verdade.

LM - O que é mais difícil: manter um grupo unido ou mantê-lo fiel aos seus valores?
JL - Manter a união, acho, é mais difícil, pois, se houver união, acredito que os valores serão cumpridos

LM - Se tivesses de definir o teu estilo de liderança numa palavra, qual seria?
JL - Nunca liderei os Motards Tartarugas sozinho, tudo o que fiz foi decidido entre mim e os meus colegas de equipa. Mas, sim, sempre tentei motivá-los e ajudá-los para que me acompanhassem no percurso dos Tartarugas.

LUSOMOTARDS – história e legado 


LM - Fizeste parte da direção da LUSOMOTARDS. O que viste por dentro que poucos conhecem?
JL - Muita dedicação, muito tempo perdido pelas pessoas que passaram pela direção da Lusomotards, mas tudo isso não é relevante quando as coisas são levadas para frente.

LM - Se não estamos enganados, estiveste também na origem da LUSOMOTARDS. Como foi esse tempo de fundação?
JL - Sim e não... Quando entrei para a Lusomotards, ela já existia há 1 ou 2 anos. Não era a Lusomotards de hoje, mas o nome já estava lá. Apenas eu, juntamente com outros membros, fizemos com que existissem atas das reuniões, criamos certas regras, estatutos, etc. Acho que foi assim que demos mais vida à Lusomotards.

LM - Na tua opinião, a LUSOMOTARDS manteve o espírito original ou mudou com o tempo?
JL
Acho que o espírito melhorou, e espero que continue a mudar, logo que seja para melhor. Novas pessoas trazem novas ideias, mais energia, etc. Não podem ser sempre as mesmas, porque, a certa altura, ficamos cansados e, mesmo sem querer, não conseguimos dar nova vida...

LM - O que a LUSOMOTARDS representa hoje para ti: orgulho, responsabilidade ou nostalgia?JL - A Lusomotards, para mim, é um orgulho. Sinto-me até certo ponto orgulhoso por ter sido um dos responsáveis por transformar a Lusomotards no que é hoje. E sinto, atualmente, saudades de não ter tempo para conviver mais com o pessoal. Infelizmente, atualmente, não me é possível.

LM - Se tivesses de deixar uma mensagem à atual direção da LUSOMOTARDS, qual seria?
JL - Acreditem, levem as vossas ideias para a frente, sejam leais e responsáveis pelos cargos que têm...

Movimento motard - sem filtros

LM - Vamos ser diretos: o movimento motard português na Suíça está unido ou dividido?
JL - Eu penso que todos os motards, todos os clubes e até mesmo os simpatizantes da Lusomotards estão unidos, mas também sei que há motards e clubes que não fazem parte da Lusomotards, e esses, talvez, estejam mais divididos.

LM - O que é que mais te incomoda no mundo motard atual?
JL 
- Haver certas regras que impedem outros clubes de fazer ou até mesmo de vestir certas coisas.

LM - E o que ainda te faz acreditar neste movimento?
JL
É uma grande família, por isso temos sempre de acreditar...

LM - Achas que hoje há mais aparência do que essência no mundo motard?
JL
As duas coisas, e, por um lado, está bem assim. Pelo menos, não se torna chato ver sempre a mesma coisa...


LM
- Se pudesses mudar uma coisa no movimento motard, qual seria?
JL
Bem, acho que, se eu tivesse esse poder, mudaria o tempo, pelo menos aqui na Suíça, trazendo mais sol do que chuva e neve.

Estrada, vida e verdade

LM - Há uma viagem, uma queda ou um momento na estrada que te tenha mudado como homem?JL Acho que qualquer viagem, qualquer susto e qualquer momento nos mudam de alguma forma. Com todos os quilómetros que fazemos, com alguns sustos que apanhamos e com todos os momentos que passamos juntos, acho que nos mudam, mesmo às vezes sem nos darmos conta.

LM - A estrada ensinou-te mais sobre lealdade ou sobre solidão?
JL
Um pouco das duas coisas.

LM - Quando desligas a moto, o Jorge Lima continua a ser o mesmo?
JL
Na moto, desligo de quase tudo e concentro-me apenas na estrada, na moto, etc. Quando desligo a moto, as coisas do dia a dia voltam à cabeça... Mas acho que isso faz parte, e acredito também que não sou o único a sentir assim.

Mensagem final 


LM - Que mensagem deixas aos Motards Tartarugas?
JL
Gostava que não deixassem morrer o que foi construído, gostava que os sócios se chegassem mais à frente...

LM - E aos motards portugueses na Suíça?
JL
Não apenas aos motards na Suíça, mas sim a todos os motards. Desejo muitos quilómetros cheios de saúde e muitos momentos de alegria.

LM - Completa a frase: “Ser motard não é…”
JL
Não é saber andar de moto ou se armar em piloto de MotoGP, mas sim saber respeitar a estrada e quem nela vai, é saber aproveitar o momento, saber conviver e respeitar os outros.

Ao longo desta conversa, percebemos que a história de Jorge Lima não se resume a cargos, títulos ou funções. É, acima de tudo, a história de um homem que cresceu entre raízes durienses, viveu a mudança ainda jovem e encontrou na estrada uma forma de pertença.

Da infância em Gouvães do Douro, passando por Lisboa, até à chegada à Suíça com apenas 12 anos, o seu percurso é feito de adaptação, coragem e construção silenciosa. Como tantos emigrantes portugueses, aprendeu cedo a recomeçar sem perder a identidade.

Enquanto presidente dos Motards Tartarugas e antigo membro da direção da LUSOMOTARDS, Jorge Lima demonstrou que liderar não é estar à frente, mas estar presente. Presente nos momentos difíceis, nas decisões exigentes, nas conquistas partilhadas e nos quilómetros percorridos lado a lado.

Nesta entrevista, não ouvimos apenas um dirigente associativo. Ouvimos um homem que valoriza a amizade, a lealdade e o respeito, princípios que dão verdadeiro significado ao mundo motard.

Porque no fim, o que fica não são apenas as motos, os encontros ou as fotografias.
Ficam as pessoas.
Ficam os gestos.
Fica a memória.

A LUSOMOTARDS agradece a Jorge Lima por ter partilhado o seu percurso e por continuar a contribuir para a força e identidade da comunidade motard portuguesa na Suíça.

A estrada continua. E cada história contada reforça o caminho que fazemos juntos.

Entrevistador:
JM
Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS


domingo, 8 de fevereiro de 2026

LUSOMOTARDS – UMA HISTÓRIA QUE CONTINUA

 Um Motard, Uma História

A rubrica “Um Motard, Uma História” tornou-se muito mais do que uma série de entrevistas.
Tornou-se memória, identidade e voz da comunidade motard.
Edição após edição, histórias reais têm unido estradas, gerações e sentimentos.

Agora, preparamo-nos para revelar uma entrevista especial.
Um motard que, apesar de afastado fisicamente, nunca esteve ausente do espírito da estrada.
Alguém que a vida obrigou a recuar, mas que nunca deixou de estar presente na memória, no respeito e no coração de quem partilha o mesmo caminho.

Não é apenas uma entrevista.
É um reencontro com a história, com a lealdade e com o significado de pertencer.

Em breve, na Lusomotards, mais uma história memorável está prestes a ser contada.
A estrada nunca esquece quem é verdadeiramente seu.

Fica atento. A próxima história da vida real pode ser a tua.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

LUSOMOTARDS PROCURA COLABORADORES PARA O BLOG

 A LUSOMOTARDS está a reforçar a sua equipa de conteúdos e abre as portas a novos colaboradores para o blog oficial do grupo.

Procuramos pessoas com paixão pelo universo motard, gosto pela escrita e vontade de partilhar histórias, experiências e informação relevante.
Se gostas de escrever, contar histórias, fazer entrevistas, reportagens ou criar rubricas originais, esta é a tua oportunidade de fazer parte do projeto.

Os colaboradores poderão participar com:

  • Histórias e relatos de estrada

  • Reportagens e crónicas motard

  • Entrevistas e testemunhos

  • Ideias para novas rubricas e formatos

  • Conteúdos sobre cultura, eventos e vida motard

Não é necessário ser profissional da escrita — apenas autenticidade, compromisso e espírito motard.

Interessados devem enviar a sua proposta, ideia ou texto para:
lusomotards@hotmail.com

Junta-te ao blog da LUSOMOTARDS e ajuda-nos a construir um espaço onde as histórias da estrada ganham voz.

LUSOMOTARDS – A estrada também se escreve.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

Bem-vindos a mais uma edição da rubrica “Um Motard, Uma História”, da LUSOMOTARDS.

Hoje damos voz a alguém que dispensa apresentações no meio motard, não apenas pelo cargo que ocupa, mas pelo percurso que construiu ao longo dos anos.

Atual presidente de um motoclube que carrega no nome uma ideia simples e poderosa — “Motard somos nós” — o nosso entrevistado acredita que ser motard vai muito além da moto ou do colete: é uma forma de estar, de respeitar e de viver a estrada.

Alguém que já fez parte da direção da LUSOMOTARDS, conhecedor do nosso caminho, dos desafios e da importância da união entre motards portugueses na Suíça.

Hoje não falamos apenas de cargos ou funções. Falamos de vivências, valores e estrada.

Vamos ouvir a sua história.


Corria o ano de 1969, numa época em que a vida se construía com trabalho duro, família unida e poucas distrações. Foi nesse Portugal de raízes fortes que, a 17 de novembro, pelas 7h30, na Freguesia de Sampaio de Favões, concelho de Marco de Canaveses, distrito do Porto, nasceu Manuel Sobral.

Primogénito de uma família de quatro irmãos, cresceu entre os exemplos simples, mas marcantes, de um pai taxista e de uma mãe costureira, António Sobral e Gracinda Sobral, que lhe transmitiram desde cedo valores como o esforço, a responsabilidade e o respeito.

Anos mais tarde, esses mesmos valores acompanham-no na vida adulta. Hoje é pai de quatro filhos e avô orgulhoso, mantendo laços fortes com a família, mesmo à distância. Desde abril de 2013, vive na Suíça, país que escolheu para emigrar, levando consigo as raízes, a história e o sentido de pertença que continuam a definir o homem que é hoje.

Lusomotards (LM) - Lembras-te da tua primeira moto e do que sentiste na primeira vez que pegaste no guiador? 
Manuel Sobral (MS) -A primeira vez que peguei no guiador de uma mota e a pilotei foi como ter um


orgasmo cerebral, a cabeça ficou vazia o corpo tenso e no final uma tremedeira geral que quase não dava para ficar de pé. Depois de várias escapadas com 12 Anos de idade na lambreta (Casal Carina250) do meu Pai, aos 14 tirei a licença de motorizada e o meu Pai trocou a lambreta por uma Famel Caçador Zundapp de quatro Turbina (grande máquina) depois de alugar várias motos, pois andava sempre em viagem, a minha primeira mota de verdade comprei já com 28 anos de idade na Ilha da Madeira e foi uma Yamaha Super Ténéré 750.
 

LM - O que significa para ti, hoje, ser motard?
MS - Hoje para mim ser Motard é uma forma ser e ver a vida com muito mais valor humano e muito menos material é ver o outro como a ti mesmo, ser Motard para mim hoje é quase uma religião sendo que o meu Deus é acreditar no ser humano. 

 Motards Somos Nós 


LM
- O nome do teu moto clube é “Motards Somos Nós”. Como nasceu essa ideia?
MS - Este clube nasceu em Payerne (VD) por volta de 2011 com um grupo de amigos que se juntavam no Bar Copa Cabana para dar umas voltas de mota, por volta do Ano de 2013 decidiram dar um nome ao grupo, e nasceram assim os “Motards Demónios Payerne” , em 2019 e devido a existencia dos “Demons” que e quer dizer Demonis mas em Frances, a criação da associação 19.13.3 tivemomos que mudar o nome, as cores brancas para verde e retirar Payerne, então como mantivemos o demónio, que continua a ser a nossa mascote, o foi lido de cima para baixo: Motards o boneco lê-se DEMONIOS Somos Nós, mesmo que pareça que não faz sentido. Assim Mantivemos a nossa identidade 

LM - Para ti, o que define verdadeiramente um motard: a moto, o colete ou a atitude?
MS - Acima de tudo a atitude, uma mota e um colete qualquer um pode comprar, ser Motard não se compra, ser Motard é ser diferente, por vezes mesmo incompreendido, mas sempre integro e fiel aos seus Valores. 

LM - Achas que, ao longo dos anos, o conceito de ser motard mudou? Em quê? 
MS - O conceito não mudou o que mudou foi a facilidade como hoje se criam grupos á esquerda e á direita não pelo conceito e valores Motards, mas pela moda e pior alguns por dinheiro. 

Liderança e Moto clube

LM - O que te levou a assumir a presidência do moto clube? 
MS - Inicialmente em 2017 para cumprir a palavra dada ao antigo Presidente (Bruno Martins) que nunca deixaria acabar este clube, nessa data o clube estava a deriva sem direção, eu mais os restantes membros (3 ou 4) metemos mãos a obra e fiquei como presidente interino até às eleições de 2019 em que fui eleito para um mandato de dois anos, até à data de hoje tenho sido reeleito. 

LM - Qual é o maior desafio de liderar um grupo motard nos dias de hoje? 
MS - Nos dias de hoje o maior desafio para a liderança de um grupo motard é sem margem de dúvida incutir nos seus membros o espírito motard, fazendo-lhes ver que ser motard não é moda, ser motard é ser diferente. 

LM - Que valores procuras transmitir aos membros do clube? 



MS - Os valores da Fraternidade, da Irmandade, da Lealdade com eles próprios para que o possam ser com os outros, de reconhecerem os seus defeitos e aceitarem os dos outros, da entreajuda entender que nem todos vemos o copo meio cheio e sobre tudo de que ser Motard é antes de tudo ser humano com defeitos e virtudes

LM - Há algum momento marcante vivido enquanto presidente que guardes com especial orgulho? 
MS - Felizmente tenho muitos momentos em que me orgulho deste clube e claro dos seus membros, só para citar alguns, fiquei muito orgulhoso nos momentos em que entregamos pequenas ofertas a crianças especiais ou pessoas idosas e vejo um sorriso, fiquei muito orgulhoso quando conseguimos abrir a nossa sede, mais recentemente fiquei muito orgulhoso quando a nossa banda deu o seu primeiro concerto e o público estava a delirar, muitos outros momentos existiram que não tenho espaço na página.

LUSOMOTARDS 

LM - Fizeste parte da direção da LUSOMOTARDS. O que representou para ti esse convite? 
MS - Um grande orgulho por fazer parte de uma forma mais ativa de algo que vejo como importante para manter e cultivar o espírito Motard entre a comunidade portuguesa na Suíça. 

LM - Que memórias ou aprendizagens levas desse período? 
MS - Como memórias apenas e infelizmente de que o espírito Motard em todos os seus valores está em decadência, como aprendizagem guardei que é sempre mais fácil quando estás de fora. 

LM - Na tua opinião, qual é o papel da LUSOMOTARDS na comunidade motard portuguesa na Suíça? 
MS - Muito sinceramente neste momento acho que não é nenhum, tudo aquilo que foi o propósito da sua criação tem vindo a ser perdido, muito pela mesma razão que no conjunto dos grupos Motards o verdadeiro espírito Motard se vem a perder. 

LM - O que gostarias de ver reforçado ou preservado no futuro da LUSOMOTARDS? 
MS - Eu gostaria que a Lusomotards fosse a Associação de Motards Portugueses na Suíça, que verdadeiramente representa-se os clubes, que fosse mais ativa para resumir, claro que para isso era preciso muito mais trabalho e talvez um outro formato em termos de organização. Claro já lá estive embora como simples secretario, mas também não contribui em nada para que as coisas mudassem, mas tenho esperança que um dia tudo vai mudar. 


Comunidade e União
 

LM - A união entre moto clubes é um tema recorrente. Estamos no bom caminho?
MS - Penso que no passado já estivemos melhor, se a decadência do espírito motard continuar a este ritmo penso que vai piorar. 

LM - O que falta, ainda, para que o movimento motard seja mais unido? 
MS - Falta que as pessoas entendam que espirito Motard não é só andar de mota, espírito Motard é antes de tudo respeito uns pelos outros e que todos percebam que isto não é uma competição, mas que deve ser uma entreajuda entre famílias do mesmo mundo. 

LM - Que conselho deixarias aos mais novos que agora começam neste mundo? 
MS - Pensem bem antes de entrar neste mundo, ser motard não é moda, ser motard não é comprar uns ténis novos. Pensem bem se realmente querem entrar no mundo dos diferentes, pensem bem se realmente são diferentes e escolham bem o vosso moto clube. 

A Estrada e a vida 

LM - Há uma estrada, viagem ou encontro motard que tenha marcado a tua vida? 
MS - A viagem a Portugal com a minha mulher o meu irmão e amigo Jorge Guerreiro. 

LM - O que a vida motard te ensinou fora da estrada? 
MS - A ser mais compreensivo com as diferenças entre pessoas. 

LM - Se tivesses de definir a tua história motard numa frase, qual seria? 



MS - Começou tarde, mas muito intensa. 

Mensagem Final 

LM - Que mensagem gostarias de deixar à comunidade motard portuguesa na Suíça? 
MS - Sejam mais unidos deixem-se de tretas, todos juntos somos mais fortes. 

LM - Completa a frase: “Ser motard é…”
MS - Ser Motard é ser diferente. 

Chegamos ao fim de mais uma entrevista da rubrica “Um Motard, Uma História”.

Uma conversa que nos lembra que o verdadeiro espírito motard vive nas pessoas, nas escolhas feitas ao longo do caminho e na forma como cada um contribui para a comunidade.

Agradecemos ao nosso entrevistado pela disponibilidade, pela franqueza e pelo testemunho deixado, que certamente se revê em muitos de nós.

A LUSOMOTARDS continuará a dar voz a quem constrói o movimento motard todos os dias, dentro e fora da estrada.

Porque no fim de contas, motard somos nós.
A estrada continua.

Entrevistador:
JM

Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS

domingo, 11 de janeiro de 2026

2026 começa com o motor a trabalhar

 Já temos o próximo protagonista… ou ainda estamos à procura?

A rubrica “Um Motard, Uma História” está prestes a regressar à LUSOMOTARDS, continuando a dar voz a percursos, experiências e testemunhos que representam a nossa comunidade.

Neste momento, a estrada está aberta:
Será que o próximo narrador já está connosco… ou ainda o estamos à procura?

Se conheces uma história que merece ser contada — ou se a tua própria vivência pode inspirar outros — este pode ser o momento certo.

O início de um novo ano é sempre um momento de reflexão, continuidade e renovação de propósitos. Na LUSOMOTARDS, seguimos firmes na valorização do motociclismo, das pessoas e das histórias que unem a comunidade motard lusófona.

Ao longo do ano, continuaremos a promover conteúdos que dão voz aos motards, às suas vivências e aos seus percursos, reforçando os laços que nos unem enquanto associação e comunidade.

Em breve regressa a rubrica “Um Motard, Uma História”, um espaço dedicado à partilha de experiências reais, testemunhos autênticos e percursos que merecem ser reconhecidos.

Agradecemos a todos os que caminham connosco.
Desejamos um excelente ano, repleto de união, segurança e boas estradas.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Entre Estradas Percorridas e Novos Horizonteses

À medida que 2025 se despede, é tempo de refletir sobre um ano cheio de estradas percorridas, encontros memoráveis e momentos que ficarão gravados na memória de todos nós. Cada quilómetro, cada curva e cada sorriso partilhado reforçam aquilo que torna a nossa comunidade tão especial: a liberdade de ser motard e a força da nossa família sobre duas rodas.

O ano que se aproxima, 2026, traz novas aventuras, novos desafios e, acima de tudo, a certeza de que a família LUSOMOTARDS continuará a crescer. Que cada motard, cada amigo e cada novo membro que se junta a nós encontre alegria, companheirismo e segurança nas estradas. Que as viagens sejam intensas, os encontros memoráveis e as histórias que vivemos juntos inspirem todos a acelerar sempre em frente.

A todos os motards e a todos os que fazem parte desta grande família: que o próximo ano seja repleto de liberdade, adrenalina, amizades fortes e novas experiências. Que nunca falte a coragem para enfrentar novas rotas, a paixão para viver cada momento e a energia para continuar a crescer juntos, lado a lado.

Feliz Ano Novo – Rumo a 2026 com motores sempre ligados, corações em alta rotação e uma família que nunca para de crescer!

Vamos juntos fazer de 2026 um ano épico!


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Comunicado de Feliz Natal da LUSOMOTARDS à Comunidade Motard Lusófona

 O Natal é um momento de pausa, reflexão e proximidade humana — valores que também fazem parte da identidade da comunidade motard. Para os motards, esta época reforça princípios essenciais como a solidariedade, a entreajuda, a prudência na estrada e o respeito pelo próximo, dentro e fora do universo motard.

Neste contexto, a LUSOMOTARDS dirige uma mensagem de Boas Festas a toda a comunidade motard lusófona, bem como a todos aqueles que, não sendo motards, partilham valores fundamentais de convivência, responsabilidade cívica e respeito mútuo.

O espírito natalício convida-nos a fortalecer laços humanos, a valorizar a segurança rodoviária e a reconhecer que a estrada é um espaço partilhado. O comportamento responsável, a tolerância e a humanidade devem estar presentes em cada viagem e em cada atitude do dia a dia.

À comunidade lusófona, espalhada por diferentes países mas unida por laços culturais, sociais e humanos, desejamos um Natal sereno, vivido com dignidade, saúde e esperança, bem como um novo ano pautado pela cooperação, pela responsabilidade e pelo compromisso com uma convivência positiva entre todos.

A LUSOMOTARDS reafirma o seu empenho na promoção de valores que dignificam a comunidade motard e a sociedade em geral, desejando a todos umas Festas tranquilas.

Boas Festas.

LUSOMOTARDS
Unidos pela Estrada, Ligados pela Amizade

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

Paulo “Casca” – Presidente dos Motards do Futuro | Fundador da LUSOMOTARDS, o Homem dos Leitões

Nesta edição da rubrica “Um Motard, Uma História”, damos voz a um nome que dispensa apresentações no seio da comunidade motard.
Paulo Pinto Silvano, natural de Paredes do Bairro, Anadia (Bairrada), chegou à Suíça em dezembro de 1993, trazendo consigo a simplicidade, o espírito de união e a paixão pelas duas rodas que ainda hoje o definem.

Conhecido entre amigos como Casca, é um homem acarinhado por motards de várias gerações, presidente dos Motards do Futuro e um dos fundadores da LUSOMOTARDS. Figura respeitada, próxima e verdadeira, construiu o seu percurso com base no companheirismo, na responsabilidade e no verdadeiro espírito motard — aquele que se vive na estrada e se prova nas pessoas.

Nesta entrevista, Paulo “Casca” fala-nos sem filtros sobre liderança, amizade, desafios, estrada, família e as histórias que fazem dele uma referência no meio motard. Uma conversa genuína, onde cada resposta carrega quilómetros, experiências e muito coração.


O Líder e o Homem

Lusomotards (LM) - Quem és tu fora do capacete? Como te descreverias a ti próprio?
Paulo Casca (PC) - Fora do capacete sou a mesma pessoa: alegre, divertida e com uma vida normal, como a maioria.

LM - Lembras-te de quem foram os fundadores da LUSOMOTARDS. Como é liderar os Motards do Futuro?
PC - Sim, lembro-me dos fundadores da LUSOMOTARDS. Bons homens. Era preciso fazer alguma coisa para organizar datas e dar a conhecer novos grupos. Isso acontece tanto a nível geral como dentro de cada grupo, e essa é uma tarefa da direção.

LM - Quando percebeste que tinhas um papel especial dentro da comunidade motard?
PC - Acho que todos temos um papel importante. Alguns são apenas de maior responsabilidade e mais visíveis.


A Liderança na Estrada

LM - O que significa para ti ser presidente de um grupo motard?
PC - Para mim, ser presidente é uma grande responsabilidade, mas com a ajuda de toda a direção tudo se torna mais fácil.

LM - Qual foi o maior desafio que enfrentaste enquanto líder?
PC - Um dos maiores desafios foi sentir o fracasso depois de tanto trabalho e investimento ao tentar organizar o último Rally Luso-Motards e ter apenas sete participantes. Estive quase a desistir, porque nem a própria LUSOMOTARDS reagiu ou tomou medidas, deixando morrer o rally.

LM - Como consegues manter a união e o espírito de família dentro dos grupos?
PC - Para manter a união, o respeito e o espírito de família, temos de ser verdadeiros.


O Carinho do Seio Motard

LM - És uma figura muito acarinhada entre os motards. O que achas que faz as pessoas gostarem tanto de ti?
PC - Uhhaaauuuu… não posso dizer. Tuuu saaabes!

LM - Houve algum momento especial em que sentiste verdadeiramente o apoio da comunidade?
PC - Sim, sem dúvida, num momento muito complicado da minha vida. Foram vários amigos que, por SMS, telefone ou pessoalmente, me deram força e coragem. Um muito obrigado a todos.

LM - Qual foi a maior demonstração de respeito ou amizade que já recebeste?
PC - União, respeito, espírito e amizade em todo o lado. Mas gostei especialmente de chegar à parte francesa e, antes mesmo de parar a trike, já ter uma loira fresquinha encostada à minha cara.


O Homem dos Leitões

LM - Achas que seria uma boa alcunha “O Homem dos Leitões”?
PC - Não, já tenho a alcunha de Casca. Mas para os amigos estou sempre pronto a assar.

LM - Tens alguma história curiosa ligada a essa tradição?
PC - Tinha saudades do leitão da Bairrada, por isso comprei um forno e comecei a assar. Os primeiros saíram um pouco queimados — ainda estava em experiência. O Xavier e o Capela que o digam! Mas agora já saem melhor.

LM - Qual foi o jantar mais memorável que organizaste ou viveste com um grupo?
PC - Todos os jantares correram bem. Gosto de todos os amigos que vieram.


O Motard

LM - Quando começou a tua paixão pelas motos?
PC - Aos 16 anos, com uma motorizada SIS Sachs, a acompanhar os amigos. Comecei a gostar de andar em grupo. Em 2003 comprei uma trike, comecei a sair com motards e percebi que isto era uma família unida para tudo.

LM - Que mota tens atualmente?
PC - Agora tenho uma Boom Trike. Pode mudar a marca ou o modelo, mas será sempre uma trike. Saudades da amarelinha.

LM - Qual é a tua viagem favorita de sempre?
PC - Todas são especiais. Faro é sempre do melhor, mas a mais especial foi ir a Portugal com a minha mulher e o meu filho. Até eles gostaram das estradas e das paisagens.


Histórias, Aventuras e Momentos 

LM - Qual foi a experiência mais marcante na estrada?
PC - Uma saída para o Luxemburgo em que apanhámos chuva durante toda a viagem. Ficou bem marcada… e bem molhada.

LM - Alguma curva te ensinou algo importante?
PC - Não, porque gosto das curvas.

LM - Há alguma história que nunca falta nos encontros?
PC - Sim, muitas gosto sempre de contar acontecimentos e relembrar momentos inesquecíveis. Tenho várias.


O Futuro dos Motards do Futuro

LM - Qual é a tua visão para o grupo?
PC - Enquanto eu estiver por aqui, o grupo Motards do Futuro vai manter-se. E espero que cresça.

LM - O que a comunidade motard deve preservar a todo o custo?
PCA união e o respeito por todos os grupos. O mais importante é manter o espírito motard e criar um ambiente agradável para atrair outros grupos, não só de portugueses.

LM - Que mensagem deixas aos motards mais jovens?
PC - Antes de tudo, dar-lhes as boas-vindas. Que respeitem os mais velhos, tudo o que já foi feito, e que tragam novas ideias para melhorar.


A Última Curva

LM - Em apenas uma frase: o que significa ser motard para ti?
PC - Ser livre e nunca andar sozinho. 

A história de Paulo “Casca” confunde-se com a própria essência do espírito motard: união, respeito, liberdade e presença constante, tanto nos bons momentos como nas curvas mais difíceis da vida. Entre quilómetros percorridos, desafios enfrentados e mesas partilhadas, fica o retrato de um homem simples, verdadeiro e profundamente ligado às pessoas.

Mais do que cargos ou títulos, Paulo deixa uma marca feita de proximidade, compromisso e paixão pela estrada. Uma voz experiente que continua a lembrar que ser motard não é apenas conduzir uma mota — é nunca caminhar sozinho.

Obrigado por partilhares a tua história de forma simples, verdadeira e sem capacete. Pessoas assim constroem grupos, unem motards e mantêm vivo o verdadeiro espírito da estrada.

Entrevistador:
JM

Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS