quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

Bem-vindos a mais uma edição da rubrica “Um Motard, Uma História”, da LUSOMOTARDS.

Hoje damos voz a alguém que dispensa apresentações no meio motard, não apenas pelo cargo que ocupa, mas pelo percurso que construiu ao longo dos anos.

Atual presidente de um motoclube que carrega no nome uma ideia simples e poderosa — “Motard somos nós” — o nosso entrevistado acredita que ser motard vai muito além da moto ou do colete: é uma forma de estar, de respeitar e de viver a estrada.

Alguém que já fez parte da direção da LUSOMOTARDS, conhecedor do nosso caminho, dos desafios e da importância da união entre motards portugueses na Suíça.

Hoje não falamos apenas de cargos ou funções. Falamos de vivências, valores e estrada.

Vamos ouvir a sua história.


Corria o ano de 1969, numa época em que a vida se construía com trabalho duro, família unida e poucas distrações. Foi nesse Portugal de raízes fortes que, a 17 de novembro, pelas 7h30, na Freguesia de Sampaio de Favões, concelho de Marco de Canaveses, distrito do Porto, nasceu Manuel Sobral.

Primogénito de uma família de quatro irmãos, cresceu entre os exemplos simples, mas marcantes, de um pai taxista e de uma mãe costureira, António Sobral e Gracinda Sobral, que lhe transmitiram desde cedo valores como o esforço, a responsabilidade e o respeito.

Anos mais tarde, esses mesmos valores acompanham-no na vida adulta. Hoje é pai de quatro filhos e avô orgulhoso, mantendo laços fortes com a família, mesmo à distância. Desde abril de 2013, vive na Suíça, país que escolheu para emigrar, levando consigo as raízes, a história e o sentido de pertença que continuam a definir o homem que é hoje.

Lusomotards (LM) - Lembras-te da tua primeira moto e do que sentiste na primeira vez que pegaste no guiador? 
Manuel Sobral (MS) -A primeira vez que peguei no guiador de uma mota e a pilotei foi como ter um


orgasmo cerebral, a cabeça ficou vazia o corpo tenso e no final uma tremedeira geral que quase não dava para ficar de pé. Depois de várias escapadas com 12 Anos de idade na lambreta (Casal Carina250) do meu Pai, aos 14 tirei a licença de motorizada e o meu Pai trocou a lambreta por uma Famel Caçador Zundapp de quatro Turbina (grande máquina) depois de alugar várias motos, pois andava sempre em viagem, a minha primeira mota de verdade comprei já com 28 anos de idade na Ilha da Madeira e foi uma Yamaha Super Ténéré 750.
 

LM - O que significa para ti, hoje, ser motard?
MS - Hoje para mim ser Motard é uma forma ser e ver a vida com muito mais valor humano e muito menos material é ver o outro como a ti mesmo, ser Motard para mim hoje é quase uma religião sendo que o meu Deus é acreditar no ser humano. 

 Motards Somos Nós 


LM
- O nome do teu moto clube é “Motards Somos Nós”. Como nasceu essa ideia?
MS - Este clube nasceu em Payerne (VD) por volta de 2011 com um grupo de amigos que se juntavam no Bar Copa Cabana para dar umas voltas de mota, por volta do Ano de 2013 decidiram dar um nome ao grupo, e nasceram assim os “Motards Demónios Payerne” , em 2019 e devido a existencia dos “Demons” que e quer dizer Demonis mas em Frances, a criação da associação 19.13.3 tivemomos que mudar o nome, as cores brancas para verde e retirar Payerne, então como mantivemos o demónio, que continua a ser a nossa mascote, o foi lido de cima para baixo: Motards o boneco lê-se DEMONIOS Somos Nós, mesmo que pareça que não faz sentido. Assim Mantivemos a nossa identidade 

LM - Para ti, o que define verdadeiramente um motard: a moto, o colete ou a atitude?
MS - Acima de tudo a atitude, uma mota e um colete qualquer um pode comprar, ser Motard não se compra, ser Motard é ser diferente, por vezes mesmo incompreendido, mas sempre integro e fiel aos seus Valores. 

LM - Achas que, ao longo dos anos, o conceito de ser motard mudou? Em quê? 
MS - O conceito não mudou o que mudou foi a facilidade como hoje se criam grupos á esquerda e á direita não pelo conceito e valores Motards, mas pela moda e pior alguns por dinheiro. 

Liderança e Moto clube

LM - O que te levou a assumir a presidência do moto clube? 
MS - Inicialmente em 2017 para cumprir a palavra dada ao antigo Presidente (Bruno Martins) que nunca deixaria acabar este clube, nessa data o clube estava a deriva sem direção, eu mais os restantes membros (3 ou 4) metemos mãos a obra e fiquei como presidente interino até às eleições de 2019 em que fui eleito para um mandato de dois anos, até à data de hoje tenho sido reeleito. 

LM - Qual é o maior desafio de liderar um grupo motard nos dias de hoje? 
MS - Nos dias de hoje o maior desafio para a liderança de um grupo motard é sem margem de dúvida incutir nos seus membros o espírito motard, fazendo-lhes ver que ser motard não é moda, ser motard é ser diferente. 

LM - Que valores procuras transmitir aos membros do clube? 



MS - Os valores da Fraternidade, da Irmandade, da Lealdade com eles próprios para que o possam ser com os outros, de reconhecerem os seus defeitos e aceitarem os dos outros, da entreajuda entender que nem todos vemos o copo meio cheio e sobre tudo de que ser Motard é antes de tudo ser humano com defeitos e virtudes

LM - Há algum momento marcante vivido enquanto presidente que guardes com especial orgulho? 
MS - Felizmente tenho muitos momentos em que me orgulho deste clube e claro dos seus membros, só para citar alguns, fiquei muito orgulhoso nos momentos em que entregamos pequenas ofertas a crianças especiais ou pessoas idosas e vejo um sorriso, fiquei muito orgulhoso quando conseguimos abrir a nossa sede, mais recentemente fiquei muito orgulhoso quando a nossa banda deu o seu primeiro concerto e o público estava a delirar, muitos outros momentos existiram que não tenho espaço na página.

LUSOMOTARDS 

LM - Fizeste parte da direção da LUSOMOTARDS. O que representou para ti esse convite? 
MS - Um grande orgulho por fazer parte de uma forma mais ativa de algo que vejo como importante para manter e cultivar o espírito Motard entre a comunidade portuguesa na Suíça. 

LM - Que memórias ou aprendizagens levas desse período? 
MS - Como memórias apenas e infelizmente de que o espírito Motard em todos os seus valores está em decadência, como aprendizagem guardei que é sempre mais fácil quando estás de fora. 

LM - Na tua opinião, qual é o papel da LUSOMOTARDS na comunidade motard portuguesa na Suíça? 
MS - Muito sinceramente neste momento acho que não é nenhum, tudo aquilo que foi o propósito da sua criação tem vindo a ser perdido, muito pela mesma razão que no conjunto dos grupos Motards o verdadeiro espírito Motard se vem a perder. 

LM - O que gostarias de ver reforçado ou preservado no futuro da LUSOMOTARDS? 
MS - Eu gostaria que a Lusomotards fosse a Associação de Motards Portugueses na Suíça, que verdadeiramente representa-se os clubes, que fosse mais ativa para resumir, claro que para isso era preciso muito mais trabalho e talvez um outro formato em termos de organização. Claro já lá estive embora como simples secretario, mas também não contribui em nada para que as coisas mudassem, mas tenho esperança que um dia tudo vai mudar. 


Comunidade e União
 

LM - A união entre moto clubes é um tema recorrente. Estamos no bom caminho?
MS - Penso que no passado já estivemos melhor, se a decadência do espírito motard continuar a este ritmo penso que vai piorar. 

LM - O que falta, ainda, para que o movimento motard seja mais unido? 
MS - Falta que as pessoas entendam que espirito Motard não é só andar de mota, espírito Motard é antes de tudo respeito uns pelos outros e que todos percebam que isto não é uma competição, mas que deve ser uma entreajuda entre famílias do mesmo mundo. 

LM - Que conselho deixarias aos mais novos que agora começam neste mundo? 
MS - Pensem bem antes de entrar neste mundo, ser motard não é moda, ser motard não é comprar uns ténis novos. Pensem bem se realmente querem entrar no mundo dos diferentes, pensem bem se realmente são diferentes e escolham bem o vosso moto clube. 

A Estrada e a vida 

LM - Há uma estrada, viagem ou encontro motard que tenha marcado a tua vida? 
MS - A viagem a Portugal com a minha mulher o meu irmão e amigo Jorge Guerreiro. 

LM - O que a vida motard te ensinou fora da estrada? 
MS - A ser mais compreensivo com as diferenças entre pessoas. 

LM - Se tivesses de definir a tua história motard numa frase, qual seria? 



MS - Começou tarde, mas muito intensa. 

Mensagem Final 

LM - Que mensagem gostarias de deixar à comunidade motard portuguesa na Suíça? 
MS - Sejam mais unidos deixem-se de tretas, todos juntos somos mais fortes. 

LM - Completa a frase: “Ser motard é…”
MS - Ser Motard é ser diferente. 

Chegamos ao fim de mais uma entrevista da rubrica “Um Motard, Uma História”.

Uma conversa que nos lembra que o verdadeiro espírito motard vive nas pessoas, nas escolhas feitas ao longo do caminho e na forma como cada um contribui para a comunidade.

Agradecemos ao nosso entrevistado pela disponibilidade, pela franqueza e pelo testemunho deixado, que certamente se revê em muitos de nós.

A LUSOMOTARDS continuará a dar voz a quem constrói o movimento motard todos os dias, dentro e fora da estrada.

Porque no fim de contas, motard somos nós.
A estrada continua.

Entrevistador:
JM

Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS

6 comentários:

Anónimo disse...

Para quando uma Mega-concentração de vários ou todos os moto clubs portugueses na Suíça ?

Anónimo disse...

Força Sobral
Grande abraço
Delfim

Anónimo disse...

Sempre em Grande Sobral , com um Grande Abraço.
Hugo Peixoto.

Anónimo disse...

Parabéns Manuel LOUREIRO Sobral temos orgulho em ti 👏👏

Anónimo disse...

Força amigo

Anónimo disse...

Aquele abraço meu irmão Manel sempre com classe e um abraço também á luso motard