Mas, no meio desta energia contagiante, há uma reflexão que se impõe.
Organizar uma concentração dá trabalho. Muito trabalho. Envolve licenças, seguros, infraestruturas, bandas, refeições, logística, brindes, segurança, limpeza e uma infinidade de detalhes que quem nunca organizou dificilmente imagina. Todos nós reconhecemos isso. Todos nós sabemos que há custos reais e elevados.
Contudo, também é verdade que, por vezes, se nota uma tendência crescente para transformar estas iniciativas que nasceram do convívio, da camaradagem e do espírito de irmandade em eventos onde os preços praticados começam a afastar muitos motards.
E isso merece ser pensado.
Quem organiza concentrações também viaja. Também se desloca a outras. Também paga inscrições,
refeições, combustível, portagens, alojamento. Também sente na pele a despesa que cada deslocação representa.
E é precisamente por isso que se torna ainda mais importante manter o equilíbrio.
Hoje, muitos motards optam por fazer um “tour” de estrada, visitar amigos, passar por cafés e pontos de encontro… e evitam entrar na concentração. Não por falta de vontade. Mas porque os valores pedidos se tornaram desajustados à realidade de muitos.
Talvez valha a pena refletir:
Será preferível ter poucos a pagar muito… ou muitos a pagar um valor justo?
A essência das concentrações nunca foi o lucro. Foi o convívio. Foi o abraço entre desconhecidos que partilham a mesma paixão. Foi a partilha de histórias, quilómetros e gargalhadas noite dentro.
Preços acessíveis trazem mais motards. Mais motards trazem mais ambiente. Mais ambiente traz mais consumo, mais visibilidade, mais sucesso para todos.
Zelar pelo espírito motard é também garantir que ninguém se sente excluído.
Porque no fim do dia, o que fica não é o valor da pulseira.
É a memória do convívio.
Que esta nova época de concentrações seja marcada por isso:
estrada, amizade, respeito… e bom senso.
LUSOMOTARDS – Porque ser motard é, acima de tudo, saber partilhar a estrada.


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