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domingo, 31 de maio de 2026

Um Motard, Uma História faz uma pausa... mas regressará em breve

Um Motard, Uma História entra em pausa durante a época das concentrações

Ao longo dos últimos meses, a rubrica "Um Motard, Uma História" tem dado voz a homens e mulheres que vivem o motociclismo de forma apaixonada criar , partilhando percursos, experiências e memórias que merecem ser conhecidas e preservadas.

Com a chegada da época alta das concentrações, encontros e eventos motards, a equipa da LUSOMOTARDS decidiu colocar temporariamente esta rubrica em pausa.

Esta decisão surge com um objetivo simples: dar o devido destaque aos inúmeros eventos, concentrações e iniciativas que marcam o calendário motard durante os próximos meses, permitindo uma maior divulgação das atividades promovidas pelos clubes, grupos e organizações que mantêm viva a nossa paixão pelas duas rodas.

A rubrica não termina. Pelo contrário, trata-se apenas de uma pausa estratégica. Durante este período continuaremos atentos às histórias que merecem ser contadas, preparando novas entrevistas e novos testemunhos para regressar em força após a temporada de concentrações.

A todos os entrevistados que já participaram, o nosso sincero agradecimento pela confiança depositada neste projeto. Aos leitores, deixamos a promessa de que muitas histórias ainda estão por contar.

Até breve... e que as estradas vos levem sempre a bons encontros, grandes amizades e momentos inesquecíveis.

Boas curvas e até ao regresso de "Um Motard, Uma História".

LUSOMOTARDS – Unidos pela paixão das duas rodas.

terça-feira, 12 de maio de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

 Há homens que andam de mota.
E há homens que nascem para a estrada.

Marco Teixeira pertence à segunda raça.

Natural de Dalvares, Tarouca. Forjado longe de casa, chegado à Suíça ainda adolescente, trouxe consigo algo que o tempo não muda e a distância não apaga: carácter.

A mota não entrou na sua vida como passatempo.
Entrou como destino.

Na solidão da estrada encontrou paz.
Na irmandade encontrou propósito.
E nos Piratas da Engadina encontrou família.

Quando vestiu o patch pela primeira vez, não vestiu um símbolo.
Vestiu uma responsabilidade.

Nunca procurou o lugar de líder.
Mas os líderes verdadeiros não se candidatam são escolhidos.

Hoje, como Presidente dos Piratas da Engadina, não guia apenas uma mota.
Guia homens.
Guia valores.
Guia uma irmandade.

Porque para Marco, liderar não é dar ordens.
É dar o exemplo.
É proteger os seus.
É garantir que lealdade, respeito e união não são palavras… são leis.


Este não é apenas o Presidente.
Este é o homem que carrega o espírito dos Piratas no peito e na forma de viver.

Senhoras e senhores… irmãos da estrada…

Com vocês, o Presidente dos Piratas da Engadina:

Marco Teixeira.

 Lusomotards (LM)  - Quando chegaste à Suíça?
Marco Teixeira (MT) -
Cheguei à Suíça 1999 com 14 anos, numa fase em que procurava novas oportunidades.

O Homem Antes do Patch

LM - Quem é o homem por trás do patch?
MT -
Sou um homem simples, trabalhador, leal aos meus princípios e às pessoas que fazem parte da minha vida. Antes de qualquer título, sou alguém que valoriza a família, a amizade e a liberdade. 

LM
- Como começou a tua ligação às motas?
MT -
Começou cedo, com a curiosidade e a paixão pela liberdade que uma mota transmite. Aos poucos, deixou de ser só um gosto e passou a fazer parte de quem sou.

LM
- Lembras-te do momento em que percebeste que a estrada faria parte da tua vida?
MT -
Sim. Foi numa viagem em que senti uma paz e uma liberdade difíceis de explicar. Ali percebi que aquilo não era só um hobby era um estilo de vida.

LM - Que pessoas ou momentos marcaram o início do teu caminho no mundo motard?
MT -
Amigos que já viviam esse espírito e me acolheram. Momentos de estrada, conversas,
partilhas tudo isso moldou o início do meu percurso.

LM - O que significa ser motard para ti?
MT -
Ser motard é liberdade, respeito e irmandade. É viver intensamente cada quilómetro e criar laços
que vão muito além da estrada.


O Encontro com os Piratas

LM - Como começou a tua história com os Piratas da Engadina?
MT -
Começou através da paixão pelas motas e amizades. Identifiquei-me com os valores do grupo .

LM - O que sentiste ao vestir o patch pela primeira vez?
MT -
Orgulho, responsabilidade e um enorme respeito pelo que aquele símbolo representa.

LM - Alguma vez imaginaste liderar o grupo?
MT -
Não. Foi algo que surgiu com o tempo e com a confiança dos irmãos. Nunca foi um objetivo, mas aceitei com honra.

LM - O que mudou quando assumiste a presidência?
MT -
A responsabilidade aumentou muito. Passei a olhar para o grupo como um todo, não apenas como membro, mas como alguém que deve orientar e proteger.

LM - Sentiste o peso da responsabilidade?
MT -
Sim, houve momentos em que o peso é real. Decisões difíceis fazem parte, mas são tomadas sempre a pensar no melhor para o grupo.

LM - O que significa liderar este grupo?
MT -
Significa servir, orientar e garantir que os valores do grupo se mantêm firmes.

LM - Que valores são fundamentais?

MT -
Lealdade, respeito, união e compromisso.

LM - A decisão mais difícil como presidente?
MT -
Tomar decisões que afetam irmãos, sabendo que nem sempre é possível agradar a todos.

LM
- Como manter a irmandade unida?
MT -
Com diálogo, respeito pelas diferenças e foco nos valores que nos unem.

LM - Que tipo de líder procuras ser?
MT -
Justo, presente e acessível alguém em quem os irmãos possam confiar.

LM - Um momento inesquecível?
MT -
Uma viagem em grupo onde tudo se alinhou estrada, espírito, amizade. Esses momentos
ficam para sempre.

LM - O que a estrada te ensinou?
MT -
Paciência, respeito e a importância de viver o momento.

LM - Momento de maior orgulho?
MT -
Ver o grupo crescer unido e forte.

LM - Quando percebeste que eram mais que um grupo?
MT -
Nos momentos difíceis, quando todos estiveram presentes sem hesitar.

LM - O que sentes ao ver um novo membro vestir o patch?
MT -
Orgulho e esperança no futuro do grupo.

LM
- Um episódio que represente tudo?
MT -
Um momento de apoio a um irmão em dificuldade ali percebe-se o verdadeiro significado da


irmandade
.

LM - Três palavras para descrever os Piratas da Engadina?
MT -
Lealdade, respeito, família.

LM - Conselho a um jovem motard?
MT -
Segue o teu caminho com respeito, aprende com quem já anda na estrada e valoriza sempre a irmandade.

O Legado


LM
- Como vês o futuro do grupo?
MT -
Vejo um grupo ainda mais forte, unido e fiel aos seus valores.

LM - Como gostarias de ser lembrado?
MT -
Como alguém que deu tudo pelo grupo, que foi justo e que manteve viva a essência da irmandade.

 E assim termina a entrevista…
mas não termina a lenda.

Porque homens como este não se resumem a palavras.
Escrevem-se na estrada. Gravem-se na memória dos irmãos. Ficam na história do patch que carregam no peito.

Hoje não ouvimos apenas o Presidente dos Piratas da Engadina.
Ouvimos o homem que vive os valores que lidera.

Ficou claro que a presidência não lhe deu grandeza.
A grandeza foi o que o levou à presidência.

Lealdade que não se negocia.
Respeito que não se exige conquista-se.
Irmidade que não se promete prova-se.

E enquanto houver motor a roncar…
enquanto houver estrada por conquistar…
o nome Marco Teixeira continuará a rolar lado a lado com os seus irmãos.

Porque esta não é apenas uma história.
É um legado em andamento.

Irmãos da estrada…
fechamos aqui esta edição de Um Motard, Uma História.

Mas a próxima curva… já está à vista.

terça-feira, 5 de maio de 2026

“UM MOTARD, UMA HISTÓRIA” PREPARA ALGO INESQUECÍVEL

 Há histórias que não precisam de apresentação.
Precisam apenas do momento certo para serem contadas.

A rubrica “Um Motard, Uma História” da LUSOMOTARDS prepara-se para lançar uma entrevista que promete marcar antes e depois nesta jornada de partilha, estrada e irmandade.

Não vamos dizer quem é.
Não vamos dar pistas.
Porque, neste caso, o nome não é o mais importante.

O que importa é o peso da caminhada.
O rasto deixado na estrada.
A marca silenciosa que atravessa gerações de motards.

Estamos a falar de alguém cuja presença se sente antes mesmo de ser anunciada.
Alguém que não precisa de títulos para ser reconhecido.
Alguém cuja história carrega quilómetros, decisões, irmandade e liderança.

Esta não será apenas mais uma entrevista.
Será daquelas que se lê com respeito.
Que se ouve com atenção.
E que se recorda por muito tempo.

Muito em breve, a LUSOMOTARDS vai sentar-se frente a frente com esta figura incontornável do mundo motard.

Sem nomes.
Sem rostos.
Sem pistas.

Apenas a certeza de que, quando esta história for publicada, muitos vão perceber que já conheciam esta presença… mesmo sem saber.

“Um Motard, Uma História” está prestes a revelar algo que não se conta todos os dias.

Fiquem atentos.
Porque a estrada vai falar.

domingo, 19 de abril de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

Natural de Lamego, Nuno Ferreira chegou à Suíça em agosto de 2004, como tantos outros portugueses que partiram em busca de melhores condições de vida.

Muito antes de qualquer cargo, de qualquer patch ou de qualquer nome nas costas, existia já um homem com um percurso feito de trabalho, rotinas, decisões e sonhos guardados em silêncio.

Foi apenas anos mais tarde que a mota entrou na sua vida e com ela, uma nova forma de viver, sentir e olhar a estrada.

Hoje, a LUSOMOTARDS senta-se à conversa com este homem, que é também presidente do Grupo Motard Os Tugas.

Mas esta não é apenas uma conversa sobre um grupo.

É, acima de tudo, uma conversa sobre o homem que veste o colete.

O Homem

LUSOMOTARD (LM) - Se hoje não fosses motard, quem seria o Nuno?
Nuno Ferreira (NF) - Seria apenas mais um emigrante preso a uma rotina monótona de casa–trabalho, trabalho–casa, sem grandes momentos de evasão ou liberdade pessoal.

LM - Lembras-te do dia em que percebeste que as motas iam fazer parte da tua vida?
NF - Sim. Foi no dia em que comprei a minha mota, em 2012. A partir desse momento percebi que não era apenas uma compra, mas o início de algo que iria fazer parte da minha vida.

LM - O que sentes nos primeiros minutos de cada saída de mota?
NF - Uma sensação imediata de liberdade, como se tudo o resto ficasse para trás naquele instante.


LM - Preferes andar sozinho para pensar ou em grupo para viver o momento?
NF - Gosto das duas experiências. Sozinho encontro espaço para pensar, em grupo encontro o espírito de partilha e convivência.

LM - O que a estrada já te ensinou que a vida normal nunca ensinaria?
NF - Ensinou-me a sentir uma liberdade e uma tranquilidade que dificilmente se encontram na rotina do dia a dia.

LM - Há algum episódio na estrada que te tenha marcado profundamente como pessoa?
NF - Mais do que um episódio específico, foi o companheirismo vivido com outros motards que mais me marcou ao longo do tempo

O Presidente

LM - Alguma vez imaginaste vir a ser presidente de um grupo motard?
NF - Não, nunca fez parte dos meus planos.

LM - O que mudou na tua forma de ver o mundo motard depois de assumires essa função?
NF - Na verdade, não mudou nada. Continuei a ser exatamente a mesma pessoa que sempre fui.

LM - Ser presidente tira mais do que dá, ou dá mais do que tira?
NF - Dá mais do que tira, principalmente a nível pessoal e humano.

LM - Há decisões que um presidente tem de tomar sozinho?
NF - Não. As decisões são sempre tomadas com base na opinião dos restantes membros do grupo


O Grupo e o Percurso

LM - Como gostas de descrever os Tugas a quem não os conhece?
NF - Como um grupo composto por pessoas educadas, bem-dispostas e que sabem conviver.

LM - Que tipo de pessoas sempre fizeram parte do grupo?
NF - Pessoas honestas, participativas e presentes na vida do grupo.

LM - Qual foi o momento em que sentiste maior orgulho no grupo?
NF - O orgulho esteve sempre presente ao longo do percurso, não num momento isolado.

LM - O que mais valorizas nas pessoas que passaram pelos Tugas?
NF - A honestidade acima de tudo.

A fase atual

LM - O grupo continua vivo, mas mais discreto. Como explicas esta fase?
NF - Vejo esta fase como um momento de reflexão ou simplesmente uma pausa natural.

LM - Esta fase trouxe alguma reflexão pessoal enquanto presidente?
NF - Trouxe um maior sentido de responsabilidade.

LM - Ainda sentes a mesma chama quando vestes o colete?
NF - Sempre. Esse sentimento nunca mudou.

A visão de quem já viveu muito na estrada

LM - O que distingue um grupo motard de um grupo de amigos com motas?
NF - Sinceramente, não vejo grande diferença entre as duas coisas.

LM - O que nunca pode faltar dentro de um grupo para ele se manter vivo?
NF - A honestidade entre todos.

LM - Se pudesses definir os Tugas numa palavra, qual seria?
NF - Irmandade.

LM - E se tivesses de definir o teu percurso como motard noutra palavra?
NF - Liberdade.

No fim desta conversa, fica claro que a verdadeira essência do mundo motard não está apenas nos grupos, nos nomes ou nos coletes.

Está nas pessoas.

Em homens como Nuno Ferreira, que encontraram na estrada mais do que um escape encontraram um sentido, uma forma de viver e uma forma de estar.

O Grupo Motard Os Tugas pode hoje atravessar uma fase mais discreta, mas aquilo que o construiu continua intacto: valores, irmandade e autenticidade.

À LUSOMOTARDS, fica a honra desta partilha.
E ao Nuno, o nosso sincero agradecimento pela disponibilidade, pela honestidade e pela simplicidade com que abriu a porta da sua história.

Porque no final, os grupos podem atravessar fases…
mas o homem que descobriu a liberdade na estrada, esse nunca deixa de seguir caminho.

 Entrevistador:
JM
Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS

domingo, 15 de março de 2026

Abril ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História” BREVEMENTE

 ENTREVISTA AO MOTARD – O PRÓXIMO CAPÍTULO

Depois do enorme impacto das últimas entrevistas histórias de estrada, irmandade e verdade motard preparamo-nos agora para um capítulo especial.

Há homens que apenas conduzem motas…
e há homens que marcam o caminho para os outros seguirem.

Na próxima edição da rubrica “Um Motard, Uma História”, vamos sentar-nos frente a frente com alguém que carrega muito mais do que quilómetros nas costas.

Falamos de um homem que conhece a estrada…
mas que também conhece o peso da responsabilidade.

Um homem que lidera uma irmandade de homens com história,
homens de palavra, de caráter forte e de espírito livre.

Mas quem será?

Será alguém da velha guarda?
Uma figura que muitos respeitam…
ou um nome que sempre esteve diante de todos, mas cuja história poucos ouviram verdadeiramente?

Para já…
o silêncio faz parte da rota.

A única certeza é esta:

Quando esta entrevista for revelada em abril, muitos vão perceber que esta história tinha mesmo de ser contada.

Até lá…
fiquem atentos.

Porque nem todas as histórias se contam de imediato.
Algumas esperam o momento certo para fazer história.

sábado, 7 de março de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

 Das montanhas de Manteigas às estradas da Suíça, a história de um motard que viveu a irmandade desde o início.

Há histórias que começam com o som de um motor.

Mas há outras que começam muito antes disso…
Começam na vida.

Esta é a história de Rui Serra.

Um homem nascido no coração da Serra da Estrela, na vila de Manteigas, onde o silêncio das montanhas e a força da natureza moldam o carácter de quem ali cresce. Foi ali que começou o seu caminho, muito antes de existir qualquer mota, qualquer grupo ou qualquer estrada percorrida a milhares de quilómetros da sua terra.

A vida levou-o mais longe.

Da infância nas montanhas de Portugal às estradas da Suíça, Rui Serra acabaria por encontrar no mundo motard algo que muitos procuram durante uma vida inteira: irmandade, liberdade e identidade.

Foi entre motores ligados, encontros improvisados e noites à volta de fogueiras que nasceram amizades, grupos e ideias que marcariam uma geração de motards portugueses emigrados.

Entre essas histórias está também o Red Line, um grupo que ajudou a construir com dedicação e paixão.
E está igualmente o nascimento de algo maior os LUSOMOTARDS, uma união que surgiu da vontade de juntar motards portugueses espalhados pela Suíça.

Mas esta não é apenas uma história de motas.

É uma história de amizade, lealdade, escolhas de vida e respeito pela estrada.

Hoje, com a serenidade de quem já percorreu muitos quilómetros, Rui Serra olha para trás com orgulho, saudade e a certeza de que aquilo que se viveu no verdadeiro espírito motard fica para sempre marcado no coração e na memória da estrada.

Porque no final de tudo, como ele próprio diz:

“Ser motard é respeito… e saber respeitar.”

Lusomotards (LM) - Rui começa por nos falar um pouco de ti. Quem é o homem antes da estrada?

Rui Serra (RS) - Sou Rui Serra, nasci a 26 de junho de 1971 na linda vila de Manteigas, situada no coração da Serra da Estrela. Nasci dentro de uma família muito feliz. Aos 6 anos entrei para a escola da Senhora dos Verdes, onde fiz a 4ª classe. Depois segui para o ciclo e mais tarde para o Colégio Nossa Senhora de Fátima, onde completei os estudos até ao secundário. Aos 20 anos fiz a tropa em Évora durante dois anos. Mais tarde regressei à minha terra e concorri para a GNR. Cheguei a passar nas provas, mas acabei por não seguir esse caminho porque teria de me deslocar para longe e estava prestes a nascer o meu primeiro filho. Foi uma decisão de vida.

LS - Como nasceu a tua ligação às motas?
RS - Um dia, quase por acaso, fui com um amigo até ao Fundão. Visitámos uma garagem da Honda que vendia motas. Eu praticamente não tinha noção nenhuma do mundo das motas… mas quando vi uma CB500 verde militar, foi amor à primeira vista. Comprei-a na hora. Mais tarde tive uma Transalp 600, e aí comecei a perceber que a mota não era apenas um hobby começava a fazer parte de mim.

LM - Quando chegaste à Suíça e como entraste no mundo dos grupos motards?
RS - Foi já na Suíça que tudo ganhou outra dimensão. Comprei uma R1 e comecei a conhecer vários grupos motards. Passei a participar nos eventos e encontros que organizavam. No início éramos poucos, mas já estávamos espalhados pela Suíça em zonas como Zug, Romanshorn e Schaffhausen. Aos poucos o movimento foi crescendo… até que em 2003 acabámos por formar os LUSOMOTARDS na Suíça. Nessa altura eu já tinha o meu pequeno grupo: o Red Line.

LM - Como nasceu a ideia dos LUSOMOTARDS?
RS - 
A ideia nasceu da forma mais pura que existe no mundo motard: à volta de uma fogueira. Estávamos ali reunidos, a conversar, a trocar ideias… e começámos a falar sobre a necessidade de união entre motards portugueses. Assim nasceu a ideia dos LUSOMOTARDS. A motivação cresceu muito em mim, principalmente pela vontade de conhecer mais irmãos motards e fortalecer a união entre todos. No início não foi fácil. Havia muitas ideias diferentes e não era possível concretizar todas. Mas conseguimos algo muito importante: organizar datas de eventos e criar estrutura. E isso já era uma grande vitória.


LM
- O Red Line também fez parte importante da tua história. Como nasceu esse grupo?
RS - O Red Line nasceu em 2003, em Bad Ragaz, através de alguns motards com quem já rodávamos aqui na zona. Para mim, o Red Line era muito mais do que um grupo. Era uma verdadeira aventura que eu estava a criar com alguns amigos. Eu vivia o grupo. Os fins de semana eram praticamente todos dedicados ao Red Line. Fui fundador e ocupei sempre o lugar de presidente, embora tivesse sempre deixado a porta aberta para que outro motard do grupo pudesse assumir o lugar se assim desejasse. Mas acabou por nunca acontecer.

LM - Como foram os primeiros eventos e concentrações organizados pelo Red Line?
RS - No início, fazer uma concentração motard ainda era novidade para muitos portugueses. Havia sempre aquele receio… Mas eu tinha uma certeza dentro de mim: os nossos irmãos motards iam aparecer. E assim aconteceu. Sempre que organizávamos algo, os motards apareciam e apoiavam. A todos eles deixo aqui o meu agradecimento. O Red Line chegou a ter cerca de 50 sócios, mas com o passar do tempo muitos motards seguiram outros caminhos: juntaram-se a outros grupos ou criaram novos. E assim o Red Line acabou por se ir perdendo. Para
mim isso foi natural. 
Somos todos livres.


LM
- O teu afastamento do meio motard teve alguma razão especial?
RS - Não houve qualquer problema. Foi apenas um afastamento natural devido à vida privada. Mas dentro de mim continuo a sentir-me parte disto tudo. Mesmo sem o Red Line ativo, continuo ligado ao espírito motard.

LM - Quando olhas para trás, o que sentes ao recordar esse percurso?
RS - Sinto saudades… mas acima de tudo muito orgulho. Orgulho de todos os motards com quem convivi e também daqueles que, mesmo sem conhecer muito bem, fizeram parte deste caminho. Para mim, a amizade no mundo motard não se compra nem se vende vive-se. Aprendi muito com todos. Aprendi sobretudo o respeito e a lealdade.

LM - O que é que a estrada te ensinou?
RS - A estrada ensinou-me muito. Ensinou-me a respeitá-la, porque é ela que leva as nossas alegrias a todo o lado. Aprendi que a estrada também merece respeito. Para mim, a estrada significa liberdade. Live to Ride, Ride to Live.

LM - Existe vontade de regressar mais ativamente ao mundo motard?
RS - Voltar como antes… provavelmente não. Mas participarei com todo o gosto em alguns eventos que venham a organizar. Porque isto nunca desaparece completamente de dentro de nós.

LM  - Que mensagem deixas aos jovens motards?
RS - Nós vivíamos tudo isto com uma enorme satisfação. Era algo muito puro. Aos jovens motards deixo um conselho simples: tenham o máximo cuidado ao andar de mota. E deixo também um pensamento para aqueles nossos amigos motards que infelizmente já partiram.

LM - Para terminar, o que significa para ti ser motard?
RS - Ser motard é algo simples, mas profundo: 
Ser motard é respeito… e saber respeitar.


Há homens que passam pelo mundo motard. E há homens que ajudam a construir esse mundo.

Rui Serra pertence a essa geração que viveu o motociclismo não como moda, nem como estatuto, mas como forma de vida. Uma geração que se encontrou nas estradas da Suíça, longe da terra natal, mas unida pelo mesmo som de motores, pelo mesmo espírito de irmandade e pela mesma paixão pela liberdade.

Entre fogueiras acesas nas noites frias, quilómetros partilhados e sonhos discutidos entre amigos, nasceram ideias que acabariam por marcar uma comunidade inteira.

Uma dessas ideias foi a criação dos LUSOMOTARDS.

Outra foi o espírito que deu vida ao Red Line, um grupo criado com amizade, dedicação e a vontade de juntar motards em torno de algo maior do que apenas andar de mota.

O tempo passa.
Os caminhos mudam.
Alguns grupos desaparecem.
Outros transformam-se.

Mas aquilo que realmente importa fica para sempre gravado na estrada e na memória de quem viveu esses momentos.

Rui Serra pode hoje estar mais afastado da estrada como antes a vivia, mas a sua história continua a fazer parte das raízes desta irmandade.

Porque no mundo motard há algo que o tempo nunca apaga:

o respeito por quem ajudou a abrir caminho.

E como ele próprio nos recorda, com a simplicidade de quem viveu tudo isto de forma verdadeira:

Ser motard não é uma aparência.

É uma forma de estar.

É uma forma de viver.

E acima de tudo…
é uma forma de respeitar.

Entrevistador:
JM
Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

 Há homens que passam pela estrada.
E há outros que deixam marcas nela.

Antes de ser presidente, antes de liderar um grupo, antes de vestir o colete, Jorge Lima é um homem feito de raízes, de viagens e de escolhas que moldaram o seu caminho.

Natural de Gouvães do Douro, no distrito de Vila Real, levou desde cedo no sangue o carácter firme das terras do Douro. Cresceu em Lisboa, onde começou a construir a sua identidade entre a vida urbana e os sonhos de liberdade.

Em 1990, com apenas 12 anos de idade, atravessou fronteiras e chegou à Suíça, trazendo consigo mais do que uma mala: trouxe a história, a saudade e a determinação de quem aprende cedo a recomeçar.

No mundo motard, o seu nome confunde-se com dedicação, persistência e sentido de pertença. Como presidente dos Motards Tartarugas, construiu mais do que um grupo: ajudou a criar uma família onde a amizade, o respeito e a lealdade são mais fortes do que o ruído dos motores.

A sua ligação ao movimento motard vai ainda mais longe. Jorge Lima fez parte da direção 


da LUSOMOTARDS e, segundo a memória de muitos, esteve também na origem de um projeto que viria a unir motards portugueses na Suíça.

Hoje, convidamos-vos a conhecer não apenas o líder ou o motard, mas o homem por trás do guiador.
As conquistas, as dúvidas, os silêncios e as batalhas invisíveis que moldaram a sua história.

Porque algumas histórias não se contam apenas com palavras.
Sentem-se.
Vivem-se.
E merecem ser ouvidas.

Homem antes do colete

Lusomotards (LM) - Antes de seres presidente, líder ou motard conhecido, quem é realmente o Jorge Lima?
Jorge Lima (JL)
- Sou uma pessoa como todas as outras, luto para alcançar os objetivos que desejo na vida. Acredito que todas as metas são possíveis de serem alcançadas. Sou uma pessoa que gosta e aceita brincadeiras, mas também sou séria. Considero-me uma pessoa correta.


LM
- Quando é que percebeste que a moto não era apenas um hobby, mas um estilo de vida?
JL - 
Bem, acho que percebi isso alguns anos atrás, quando comecei a frequentar algumas concentrações de motards. Notei que motos não são apenas um hobby, mas podem ser muito mais.

LM -  O que é que a estrada te deu… e o que é que te tirou?
JL - Andar na estrada de moto, acho que já me trouxe muitas coisas, pois não é a mesma coisa fazer uma estrada de moto ou de carro. De moto, vais livre, vês muitas mais coisas, pares onde pares és recebido de outra maneira. Parece que toda a gente te conhece há muito tempo, apesar de nunca te terem visto antes... Acho que, até ao dia de hoje, a única coisa que a estrada me tirou foi algumas horas de sono... 


Motards Tartarugas - identidade e verdade

LM - Os Motards Tartarugas não nasceram por acaso. Conta-nos a verdade: como começou tudo?
JL - Os Motards Tartarugas nasceram depois de um passeio de moto. Éramos cerca de 13 amigos que, no dia 9 de setembro de 2007, depois de um lindo passeio de moto e já a caminho de regresso a Frauenfeld, em tom de brincadeira, decidimos formar os Motards Tartarugas.

LM - O nome “Tartarugas” representa o quê: humildade, resistência ou provocação?
JL - Bem, o nome 'Tartarugas' surgiu por acaso, depois de termos votado em diversos nomes para o moto clube. Para mim, e pelo que somos, ele representa humildade.

LM - Hoje, olhando para o grupo, dirias que os Motards Tartarugas estão fortes, frágeis ou em transformação?
JL - Uiii, custa-me muito dizer isto, mas atualmente estamos muito frágeis e sem alguma transformação.

LM - Sem rodeios: como está realmente o grupo Motards Tartarugas neste momento?
JL - Infelizmente, está tudo parado. É algo que em breve vamos ter de resolver: o que faremos no futuro, pois cada vez há menos pessoas dispostas a assumir responsabilidades e que tenham tempo para estar à frente dos Motards Tartarugas.

LM - Qual foi o momento mais difícil que enfrentaste como presidente?
JL - 
Sinceramente, não te sei dizer. Já houve algumas tentativas, mas eu sou uma pessoa que gosta de enfrentar momentos difíceis, eles dão-me garra para continuar e fazer melhor... Mas acho que, mesmo assim, o mais difícil tem sido ver os Motards Tartarugas parados e sem o interesse dos sócios.

LM -  E o momento em que sentiste orgulho verdadeiro no grupo?
JL
- Sinto orgulho, apesar do atual mau momento, ainda hoje. Mas, quando os Tartarugas ainda eram Tartarugas, e principalmente nas nossas concentrações, saber que podia contar com os nossos sócios para tudo o que fosse preciso, isso sim, dava-me orgulho.


Liderar não é mandar

LM - Liderar motards é diferente de liderar pessoas comuns. Concordas?
JL - Sim, até certo ponto concordo. Acho que as pessoas comuns são mais difíceis de liderar...

LM - Já tiveste de tomar decisões que te custaram amizades?
JL - Sim, infelizmente, algumas. É triste, mas é a realidade. Por outro lado, talvez não fosse amizade de verdade.

LM - O que é mais difícil: manter um grupo unido ou mantê-lo fiel aos seus valores?
JL - Manter a união, acho, é mais difícil, pois, se houver união, acredito que os valores serão cumpridos

LM - Se tivesses de definir o teu estilo de liderança numa palavra, qual seria?
JL - Nunca liderei os Motards Tartarugas sozinho, tudo o que fiz foi decidido entre mim e os meus colegas de equipa. Mas, sim, sempre tentei motivá-los e ajudá-los para que me acompanhassem no percurso dos Tartarugas.

LUSOMOTARDS – história e legado 


LM - Fizeste parte da direção da LUSOMOTARDS. O que viste por dentro que poucos conhecem?
JL - Muita dedicação, muito tempo perdido pelas pessoas que passaram pela direção da Lusomotards, mas tudo isso não é relevante quando as coisas são levadas para frente.

LM - Se não estamos enganados, estiveste também na origem da LUSOMOTARDS. Como foi esse tempo de fundação?
JL - Sim e não... Quando entrei para a Lusomotards, ela já existia há 1 ou 2 anos. Não era a Lusomotards de hoje, mas o nome já estava lá. Apenas eu, juntamente com outros membros, fizemos com que existissem atas das reuniões, criamos certas regras, estatutos, etc. Acho que foi assim que demos mais vida à Lusomotards.

LM - Na tua opinião, a LUSOMOTARDS manteve o espírito original ou mudou com o tempo?
JL - 
Acho que o espírito melhorou, e espero que continue a mudar, logo que seja para melhor. Novas pessoas trazem novas ideias, mais energia, etc. Não podem ser sempre as mesmas, porque, a certa altura, ficamos cansados e, mesmo sem querer, não conseguimos dar nova vida...

LM - O que a LUSOMOTARDS representa hoje para ti: orgulho, responsabilidade ou nostalgia?JL - A Lusomotards, para mim, é um orgulho. Sinto-me até certo ponto orgulhoso por ter sido um dos responsáveis por transformar a Lusomotards no que é hoje. E sinto, atualmente, saudades de não ter tempo para conviver mais com o pessoal. Infelizmente, atualmente, não me é possível.

LM - Se tivesses de deixar uma mensagem à atual direção da LUSOMOTARDS, qual seria?
JL - Acreditem, levem as vossas ideias para a frente, sejam leais e responsáveis pelos cargos que têm...

Movimento motard - sem filtros

LM - Vamos ser diretos: o movimento motard português na Suíça está unido ou dividido?
JL - Eu penso que todos os motards, todos os clubes e até mesmo os simpatizantes da Lusomotards estão unidos, mas também sei que há motards e clubes que não fazem parte da Lusomotards, e esses, talvez, estejam mais divididos.

LM - O que é que mais te incomoda no mundo motard atual?
JL 
- Haver certas regras que impedem outros clubes de fazer ou até mesmo de vestir certas coisas.

LM - E o que ainda te faz acreditar neste movimento?
JL - 
É uma grande família, por isso temos sempre de acreditar...

LM - Achas que hoje há mais aparência do que essência no mundo motard?
JL - 
As duas coisas, e, por um lado, está bem assim. Pelo menos, não se torna chato ver sempre a mesma coisa...


LM
- Se pudesses mudar uma coisa no movimento motard, qual seria?
JL - 
Bem, acho que, se eu tivesse esse poder, mudaria o tempo, pelo menos aqui na Suíça, trazendo mais sol do que chuva e neve.

Estrada, vida e verdade

LM - Há uma viagem, uma queda ou um momento na estrada que te tenha mudado como homem?JL - Acho que qualquer viagem, qualquer susto e qualquer momento nos mudam de alguma forma. Com todos os quilómetros que fazemos, com alguns sustos que apanhamos e com todos os momentos que passamos juntos, acho que nos mudam, mesmo às vezes sem nos darmos conta.

LM - A estrada ensinou-te mais sobre lealdade ou sobre solidão?
JL - 
Um pouco das duas coisas.

LM - Quando desligas a moto, o Jorge Lima continua a ser o mesmo?
JL - 
Na moto, desligo de quase tudo e concentro-me apenas na estrada, na moto, etc. Quando desligo a moto, as coisas do dia a dia voltam à cabeça... Mas acho que isso faz parte, e acredito também que não sou o único a sentir assim.

Mensagem final 


LM - Que mensagem deixas aos Motards Tartarugas?
JL - 
Gostava que não deixassem morrer o que foi construído, gostava que os sócios se chegassem mais à frente...

LM - E aos motards portugueses na Suíça?
JL - 
Não apenas aos motards na Suíça, mas sim a todos os motards. Desejo muitos quilómetros cheios de saúde e muitos momentos de alegria.

LM - Completa a frase: “Ser motard não é…”
JL - 
Não é saber andar de moto ou se armar em piloto de MotoGP, mas sim saber respeitar a estrada e quem nela vai, é saber aproveitar o momento, saber conviver e respeitar os outros.

Ao longo desta conversa, percebemos que a história de Jorge Lima não se resume a cargos, títulos ou funções. É, acima de tudo, a história de um homem que cresceu entre raízes durienses, viveu a mudança ainda jovem e encontrou na estrada uma forma de pertença.

Da infância em Gouvães do Douro, passando por Lisboa, até à chegada à Suíça com apenas 12 anos, o seu percurso é feito de adaptação, coragem e construção silenciosa. Como tantos emigrantes portugueses, aprendeu cedo a recomeçar sem perder a identidade.

Enquanto presidente dos Motards Tartarugas e antigo membro da direção da LUSOMOTARDS, Jorge Lima demonstrou que liderar não é estar à frente, mas estar presente. Presente nos momentos difíceis, nas decisões exigentes, nas conquistas partilhadas e nos quilómetros percorridos lado a lado.

Nesta entrevista, não ouvimos apenas um dirigente associativo. Ouvimos um homem que valoriza a amizade, a lealdade e o respeito, princípios que dão verdadeiro significado ao mundo motard.

Porque no fim, o que fica não são apenas as motos, os encontros ou as fotografias.
Ficam as pessoas.
Ficam os gestos.
Fica a memória.

A LUSOMOTARDS agradece a Jorge Lima por ter partilhado o seu percurso e por continuar a contribuir para a força e identidade da comunidade motard portuguesa na Suíça.

A estrada continua. E cada história contada reforça o caminho que fazemos juntos.

Entrevistador:
JM
Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

ENTREVISTA DO MÊS – “Um Motard, Uma História”

Bem-vindos a mais uma edição da rubrica “Um Motard, Uma História”, da LUSOMOTARDS.

Hoje damos voz a alguém que dispensa apresentações no meio motard, não apenas pelo cargo que ocupa, mas pelo percurso que construiu ao longo dos anos.

Atual presidente de um motoclube que carrega no nome uma ideia simples e poderosa — “Motard somos nós” — o nosso entrevistado acredita que ser motard vai muito além da moto ou do colete: é uma forma de estar, de respeitar e de viver a estrada.

Alguém que já fez parte da direção da LUSOMOTARDS, conhecedor do nosso caminho, dos desafios e da importância da união entre motards portugueses na Suíça.

Hoje não falamos apenas de cargos ou funções. Falamos de vivências, valores e estrada.

Vamos ouvir a sua história.


Corria o ano de 1969, numa época em que a vida se construía com trabalho duro, família unida e poucas distrações. Foi nesse Portugal de raízes fortes que, a 17 de novembro, pelas 7h30, na Freguesia de Sampaio de Favões, concelho de Marco de Canaveses, distrito do Porto, nasceu Manuel Sobral.

Primogénito de uma família de quatro irmãos, cresceu entre os exemplos simples, mas marcantes, de um pai taxista e de uma mãe costureira, António Sobral e Gracinda Sobral, que lhe transmitiram desde cedo valores como o esforço, a responsabilidade e o respeito.

Anos mais tarde, esses mesmos valores acompanham-no na vida adulta. Hoje é pai de quatro filhos e avô orgulhoso, mantendo laços fortes com a família, mesmo à distância. Desde abril de 2013, vive na Suíça, país que escolheu para emigrar, levando consigo as raízes, a história e o sentido de pertença que continuam a definir o homem que é hoje.

Lusomotards (LM) - Lembras-te da tua primeira moto e do que sentiste na primeira vez que pegaste no guiador? 
Manuel Sobral (MS) -A primeira vez que peguei no guiador de uma mota e a pilotei foi como ter um


orgasmo cerebral, a cabeça ficou vazia o corpo tenso e no final uma tremedeira geral que quase não dava para ficar de pé. Depois de várias escapadas com 12 Anos de idade na lambreta (Casal Carina250) do meu Pai, aos 14 tirei a licença de motorizada e o meu Pai trocou a lambreta por uma Famel Caçador Zundapp de quatro Turbina (grande máquina) depois de alugar várias motos, pois andava sempre em viagem, a minha primeira mota de verdade comprei já com 28 anos de idade na Ilha da Madeira e foi uma Yamaha Super Ténéré 750.
 

LM - O que significa para ti, hoje, ser motard?
MS - Hoje para mim ser Motard é uma forma ser e ver a vida com muito mais valor humano e muito menos material é ver o outro como a ti mesmo, ser Motard para mim hoje é quase uma religião sendo que o meu Deus é acreditar no ser humano. 

 Motards Somos Nós 


LM
- O nome do teu moto clube é “Motards Somos Nós”. Como nasceu essa ideia?
MS - Este clube nasceu em Payerne (VD) por volta de 2011 com um grupo de amigos que se juntavam no Bar Copa Cabana para dar umas voltas de mota, por volta do Ano de 2013 decidiram dar um nome ao grupo, e nasceram assim os “Motards Demónios Payerne” , em 2019 e devido a existencia dos “Demons” que e quer dizer Demonis mas em Frances, a criação da associação 19.13.3 tivemomos que mudar o nome, as cores brancas para verde e retirar Payerne, então como mantivemos o demónio, que continua a ser a nossa mascote, o foi lido de cima para baixo: Motards o boneco lê-se DEMONIOS Somos Nós, mesmo que pareça que não faz sentido. Assim Mantivemos a nossa identidade 

LM - Para ti, o que define verdadeiramente um motard: a moto, o colete ou a atitude?
MS - Acima de tudo a atitude, uma mota e um colete qualquer um pode comprar, ser Motard não se compra, ser Motard é ser diferente, por vezes mesmo incompreendido, mas sempre integro e fiel aos seus Valores. 

LM - Achas que, ao longo dos anos, o conceito de ser motard mudou? Em quê? 
MS - O conceito não mudou o que mudou foi a facilidade como hoje se criam grupos á esquerda e á direita não pelo conceito e valores Motards, mas pela moda e pior alguns por dinheiro. 

Liderança e Moto clube

LM - O que te levou a assumir a presidência do moto clube? 
MS - Inicialmente em 2017 para cumprir a palavra dada ao antigo Presidente (Bruno Martins) que nunca deixaria acabar este clube, nessa data o clube estava a deriva sem direção, eu mais os restantes membros (3 ou 4) metemos mãos a obra e fiquei como presidente interino até às eleições de 2019 em que fui eleito para um mandato de dois anos, até à data de hoje tenho sido reeleito. 

LM - Qual é o maior desafio de liderar um grupo motard nos dias de hoje? 
MS - Nos dias de hoje o maior desafio para a liderança de um grupo motard é sem margem de dúvida incutir nos seus membros o espírito motard, fazendo-lhes ver que ser motard não é moda, ser motard é ser diferente. 

LM - Que valores procuras transmitir aos membros do clube? 



MS - Os valores da Fraternidade, da Irmandade, da Lealdade com eles próprios para que o possam ser com os outros, de reconhecerem os seus defeitos e aceitarem os dos outros, da entreajuda entender que nem todos vemos o copo meio cheio e sobre tudo de que ser Motard é antes de tudo ser humano com defeitos e virtudes. 

LM - Há algum momento marcante vivido enquanto presidente que guardes com especial orgulho? 
MS - Felizmente tenho muitos momentos em que me orgulho deste clube e claro dos seus membros, só para citar alguns, fiquei muito orgulhoso nos momentos em que entregamos pequenas ofertas a crianças especiais ou pessoas idosas e vejo um sorriso, fiquei muito orgulhoso quando conseguimos abrir a nossa sede, mais recentemente fiquei muito orgulhoso quando a nossa banda deu o seu primeiro concerto e o público estava a delirar, muitos outros momentos existiram que não tenho espaço na página.

LUSOMOTARDS 

LM - Fizeste parte da direção da LUSOMOTARDS. O que representou para ti esse convite? 
MS - Um grande orgulho por fazer parte de uma forma mais ativa de algo que vejo como importante para manter e cultivar o espírito Motard entre a comunidade portuguesa na Suíça. 

LM - Que memórias ou aprendizagens levas desse período? 
MS - Como memórias apenas e infelizmente de que o espírito Motard em todos os seus valores está em decadência, como aprendizagem guardei que é sempre mais fácil quando estás de fora. 

LM - Na tua opinião, qual é o papel da LUSOMOTARDS na comunidade motard portuguesa na Suíça? 
MS - Muito sinceramente neste momento acho que não é nenhum, tudo aquilo que foi o propósito da sua criação tem vindo a ser perdido, muito pela mesma razão que no conjunto dos grupos Motards o verdadeiro espírito Motard se vem a perder. 

LM - O que gostarias de ver reforçado ou preservado no futuro da LUSOMOTARDS? 
MS - Eu gostaria que a Lusomotards fosse a Associação de Motards Portugueses na Suíça, que verdadeiramente representa-se os clubes, que fosse mais ativa para resumir, claro que para isso era preciso muito mais trabalho e talvez um outro formato em termos de organização. Claro já lá estive embora como simples secretario, mas também não contribui em nada para que as coisas mudassem, mas tenho esperança que um dia tudo vai mudar. 


Comunidade e União
 

LM - A união entre moto clubes é um tema recorrente. Estamos no bom caminho?
MS - Penso que no passado já estivemos melhor, se a decadência do espírito motard continuar a este ritmo penso que vai piorar. 

LM - O que falta, ainda, para que o movimento motard seja mais unido? 
MS - Falta que as pessoas entendam que espirito Motard não é só andar de mota, espírito Motard é antes de tudo respeito uns pelos outros e que todos percebam que isto não é uma competição, mas que deve ser uma entreajuda entre famílias do mesmo mundo. 

LM - Que conselho deixarias aos mais novos que agora começam neste mundo? 
MS - Pensem bem antes de entrar neste mundo, ser motard não é moda, ser motard não é comprar uns ténis novos. Pensem bem se realmente querem entrar no mundo dos diferentes, pensem bem se realmente são diferentes e escolham bem o vosso moto clube. 

A Estrada e a vida 

LM - Há uma estrada, viagem ou encontro motard que tenha marcado a tua vida? 
MS - A viagem a Portugal com a minha mulher o meu irmão e amigo Jorge Guerreiro. 

LM - O que a vida motard te ensinou fora da estrada? 
MS - A ser mais compreensivo com as diferenças entre pessoas. 

LM - Se tivesses de definir a tua história motard numa frase, qual seria? 



MS - Começou tarde, mas muito intensa. 

Mensagem Final 

LM - Que mensagem gostarias de deixar à comunidade motard portuguesa na Suíça? 
MS - Sejam mais unidos deixem-se de tretas, todos juntos somos mais fortes. 

LM - Completa a frase: “Ser motard é…”
MS - Ser Motard é ser diferente. 

Chegamos ao fim de mais uma entrevista da rubrica “Um Motard, Uma História”.

Uma conversa que nos lembra que o verdadeiro espírito motard vive nas pessoas, nas escolhas feitas ao longo do caminho e na forma como cada um contribui para a comunidade.

Agradecemos ao nosso entrevistado pela disponibilidade, pela franqueza e pelo testemunho deixado, que certamente se revê em muitos de nós.

A LUSOMOTARDS continuará a dar voz a quem constrói o movimento motard todos os dias, dentro e fora da estrada.

Porque no fim de contas, motard somos nós.
A estrada continua.

Entrevistador:
JM

Rubrica “Um Motard, Uma História” – LUSOMOTARDS