Muito antes de qualquer cargo, de qualquer patch ou de qualquer nome nas costas, existia já um homem com um percurso feito de trabalho, rotinas, decisões e sonhos guardados em silêncio.
Foi apenas anos mais tarde que a mota entrou na sua vida — e com ela, uma nova forma de viver, sentir e olhar a estrada.
Hoje, a LUSOMOTARDS senta-se à conversa com este homem, que é também presidente do Grupo Motard Os Tugas.
Mas esta não é apenas uma conversa sobre um grupo.
É, acima de tudo, uma conversa sobre o homem que veste o colete.
O Homem
LUSOMOTARD (LM) - Se hoje não fosses motard, quem seria o Nuno?
Nuno Ferreira (NF) - Seria apenas mais um emigrante preso a uma rotina monótona de casa–trabalho, trabalho–casa, sem grandes momentos de evasão ou liberdade pessoal.
LM - Lembras-te do dia em que percebeste que as motas iam fazer parte da tua vida?
NF - Sim. Foi no dia em que comprei a minha mota, em 2012. A partir desse momento percebi que não era apenas uma compra, mas o início de algo que iria fazer parte da minha vida.
LM - O que sentes nos primeiros minutos de cada saída de mota?
NF - Uma sensação imediata de liberdade, como se tudo o resto ficasse para trás naquele instante.
LM - Preferes andar sozinho para pensar ou em grupo para viver o momento?
NF - Gosto das duas experiências. Sozinho encontro espaço para pensar, em grupo encontro o espírito de partilha e convivência.
LM - O que a estrada já te ensinou que a vida normal nunca ensinaria?
NF - Ensinou-me a sentir uma liberdade e uma tranquilidade que dificilmente se encontram na rotina do dia a dia.
LM - Há algum episódio na estrada que te tenha marcado profundamente como pessoa?
NF - Mais do que um episódio específico, foi o companheirismo vivido com outros motards que mais me marcou ao longo do tempo
O Presidente
LM - Alguma vez imaginaste vir a ser presidente de um grupo motard?
NF - Não, nunca fez parte dos meus planos.
LM - O que mudou na tua forma de ver o mundo motard depois de assumires essa função?
NF - Na verdade, não mudou nada. Continuei a ser exatamente a mesma pessoa que sempre fui.
LM - Ser presidente tira mais do que dá, ou dá mais do que tira?
NF - Dá mais do que tira, principalmente a nível pessoal e humano.
LM - Há decisões que um presidente tem de tomar sozinho?
NF - Não. As decisões são sempre tomadas com base na opinião dos restantes membros do grupo
O Grupo e o Percurso
LM - Como gostas de descrever os Tugas a quem não os conhece?
NF - Como um grupo composto por pessoas educadas, bem-dispostas e que sabem conviver.
LM - Que tipo de pessoas sempre fizeram parte do grupo?
NF - Pessoas honestas, participativas e presentes na vida do grupo.
LM - Qual foi o momento em que sentiste maior orgulho no grupo?
NF - O orgulho esteve sempre presente ao longo do percurso, não num momento isolado.
LM - O que mais valorizas nas pessoas que passaram pelos Tugas?
NF - A honestidade acima de tudo.
A fase atual
LM - O grupo continua vivo, mas mais discreto. Como explicas esta fase?
NF - Vejo esta fase como um momento de reflexão ou simplesmente uma pausa natural.
LM - Esta fase trouxe alguma reflexão pessoal enquanto presidente?
NF - Trouxe um maior sentido de responsabilidade.
LM - Ainda sentes a mesma chama quando vestes o colete?
NF - Sempre. Esse sentimento nunca mudou.
A visão de quem já viveu muito na estrada
LM - O que distingue um grupo motard de um grupo de amigos com motas?
NF - Sinceramente, não vejo grande diferença entre as duas coisas.
LM - O que nunca pode faltar dentro de um grupo para ele se manter vivo?
NF - A honestidade entre todos.
LM - Se pudesses definir os Tugas numa palavra, qual seria?
NF - Irmandade.
LM - E se tivesses de definir o teu percurso como motard noutra palavra?
NF - Liberdade.



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